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Review: Borderlands 4 tenta renovar a franquia, mas é ofuscado pelos problemas técnicos

Ygor Ferreira 24/09/2025 6 minutes read

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Borderlands capa

Borderlands capa

Borderlands 4 tem boas ideias que seriam ainda melhores sem a infinidade de problemas

Borderlands é considerado o grande responsável pelo gênero de looter shooter, que depois foi ainda mais popularizado por Destiny. Borderlands 2, lançado em 2012, lançou a franquia num patamar gigantesco, unindo o looping de gameplay de Diablo sobre buscar itens para fortalecer ainda mais seu personagem e muito humor.

Depois do grande sucesso a franquia tentou reproduzir diversas vezes o que fez o segundo jogo popular, tentando vilões carismáticos, retorno de personagens e mantendo seu humor que foi ficando cada vez mais envelhecido. Sem sucesso nos últimos anos, Borderlands 4 dá uma balançada em sua estrutura e quase consegue chegar lá, se não fosse a quantidade de problemas presentes.

  • Review: Towa and the Guardians of the Sacred Tree tem boas ideias, mas demora muito para se mostrarem

Ficha Técnica

borderlands cover

Título: Borderlands 4

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC

Data de Lançamento: 11 de setembro de 2025

Desenvolvedora: Gearbox

Distribuidora: 2K

Descrição: Como um dos quatro novos caça-arcas bambambãs, sua missão é fugir de um planeta cheio de perigos.

Bem vindo a Kairos

Um jogo de proproções menores
Um jogo de proproções menores

Depois de Borderlands 3 que se passava em diversos planetas e tinha uma história com impactos universais, o novo jogo dá um passo para trás e acontece inteiramente em Kairos. O planeta é controlado pelo Senhor do Tempo e sua Ordem e vem oprimindo os habitantes do local.

Seu caça-arcas acaba sendo capturado pelo vilão e prestes a ser controlado por ele é salvo por um membro da resistência que se sacrifica para sua fuga. Com isso, o protagonista se junta aos grupos do planeta para se vingar do Senhor do Tempo.

A história é dividida em capítulos onde o caçador de arcas trabalha junto de pessoas diferentes em cada um deles. De início é difícil se importar com muita coisa, mas com a progressão vamos conhecendo personagens carismáticos e também rostos familiares, que diferente do terceiro jogo, conseguem muito bem serem incorporados na história e fazem parte dos melhores pontos de Borderlands 4.

O humor continua presente e na maior parte do tempo parece algo extremamente datado e logo nas primeiras horas se torna cansativo. Apesar disso, Borderlands 4 consegue vez ou outra tirar risadas, principalmente nas missões secundárias, trazendo os mais absurdos pedidos. Até mesmo algumas envolvendo Claptrap conseguem ser divertidas, apesar do mesmo jeito irritante presente.

Um planeta de problemas

Apesar das melhorias, o jogo tem problemas demais
Apesar das melhorias, o jogo tem problemas demais

A principal novidade de Borderlands 4 é que agora as regiões geralmente presentes foram unidas num mapa mundo aberto, que traz lados positivos e negativos. Não ter mais loadings para se mover de um lado para o outro é um grande fator benéfico para o jogo, principalmente em pontos mais avançados onde vamos transitar nos diferentes biomas para completar missões.

Com a mudança de estrutura temos também uma adição de conteúdos pelo mundo. Coletáveis, arenas de inimigo, chefes de mundo e outros segredos que se esperaria de um mmorpg. Nem todos os conteúdos são divertidos, mas a quantidade permite que o jogador escolha o que fazer sem se sentir obrigado a completar tudo para estar em um nível aceitável para a missão principal. Por outro lado, os cenários não são muito interessantes e acabam tendo menos variações do que os anteriores.

Mas enquanto os cenários parecem ter perdido em personalidade, os personagens ganharam ainda mais profundidade. A árvore de habilidades de cada caça-arcas passou por um grande upgrade, trazendo uma maior variedade do que se pode fazer. Os personagens tem 3 habilidades para escolher e elas apresentam uma árvore própria que se ramifica em mais três com o progresso.

O problema é que assim como os outros Borderlands, leva um tempo até o personagem se destacar. No meu caso escolhi a ninja, Vex, e durante as primeiras horas ela era bem básica e sua habilidade de invocar espíritos servia muito mais para atrair os inimigos do que causar dano.

Mas depois de algumas horas com o desbloqueio de melhorias, em particular a que permitia causar dano de status aleatório ao atacar com algum elemento, o combate finalmente tomou sua forma e é definitivamente o mais divertido da franquia. Depois que passamos desse momento de encontrar o verdadeiro potencial do personagem o ritmo se torna muito mais gostoso para se progredir e buscar refinar ainda mais o personagem.

O gancho, funcionalidade adicionada para a travessia, acaba sendo utilizada também no combate, dando um dinamismo maior permitindo se mover com agilidade ou então pegar explosivos pelo caminho para lançar nos inimigos.

Mas todos os elogios em relação ao combate, progressão e narrativa acabam sendo inteiramente ofuscados pelos problemas técnicos de Borderlands 4. Já a uns bons anos dentro da geração do PlayStation 5 e Xbox Series os problemas de performance vindos da Unreal Engine 5 já são bem conhecidos, mas aqui eles vão para um novo nível.

A performance do jogo é péssima na maior parte do tempo, seja no PlayStation ou no PC. Objetos na tela que demoram para carregar, quedas constantes de frame, principalmente no meio do combate e crashes em muitos momentos. Além disso, a quantidade de bugs são igualmente alarmantes.

A maior parte deles são mais simples como inimigos presos no cenário ou com a inteligência artificial falhando. Em outros momentos as quest passam por problemas, como o objeto que precisa ser utilizado não aparecer no cenário ou não ser possível interagir com ele, sendo necessário recarregar.

Isso piora ainda mais no multiplayer, já que várias vezes os jogadores que não são o líder da sessão acabam perdendo progresso e até mesmo os pontos de viagem rápida desbloqueados em grupo.

Tudo isso é capaz de minar o looping divertido que é enfrentar as hordas de inimigos em busca de cada vez mais formas de se tornar poderoso. O que é uma pena, já que entre os problemas, Borderlands 4 tenta renovar a franquia que por muito tempo ficou parada no tempo.

Borderlands 4

Ygor Ferreira

borderlands nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Borderlands 4 tenta evoluir sua estrutura que ficou datada com os anos, tendo bons erros e acertos, além de um caminho para o futuro. Infelizmente isso acaba sendo deixado de lado pela quantidade de problemas que ele apresenta.

3.7

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