Rock in Rio 2026: Como o ballroom de Pose foi parar no coração do festival?
Atração do Trident levou um movimento marginalizado da cultura preta para o centro da festa
Depois de duas semanas de muita chuva, o Rock in Rio 2026 chegou ao fim. Por mais um ano, o festival protagonizou encontros pra lá de inusitados, com direito até a uma mistura do k-pop do Stray Kids com o rap de Puterrier. Mas não foram só os shows que chamaram a atenção. Muitas marcas fizeram o dever de casa e levaram atrações igualmente marcantes para o público, como é o caso do Trident, que transformou o seu estande em um portal para um ballroom.
O que é ballroom?

Ballroom é o ponto mágico onde a cultura preta e a cultura queer se cruzam. O nome pode não ser tão conhecido, mas a sua influência não passa batido. É a essência da música Vogue, da Madonna. O coração da série Pose, sucesso do FX. E o berço de muitas das competidoras do popular reality show RuPaul’s Drag Race.
O movimento nasceu em meados dos anos 60s, nos Estados Unidos, como um espaço seguro para bichas pretas existirem. Na época, os bailes de drag (drag balls) eram populares entre pessoas LGBTQ+ e um dos poucos lugares onde pessoas pretas e brancas da comunidade podiam coexistir. Ainda assim, era um antro de racismo e para se protegerem, as pessoas pretas fundaram os próprios espaços.
Nasceram assim a cena de ballroom, em que a juventude latina e preta LGBTQ+ brincava de performar tudo aquilo que a sociedade lhe proibia de ser. A ideia era misturar um desfile de moda com danças provocativas. Ao mesmo tempo um espaço de sonhar por um mundo mais inclusivo e debochar da sociedade que os rejeitavam. O ballroom era resistência e com esse mesmo espírito que ele se espalhou para o mundo, inclusive para o Brasil.
Ballroom no Rock in Rio

Esse espírito rebelde de ser quem você é, independente do que os outros vão pensar, foi o que inspirou o Trident a reconstruir em seu estande um gostinho do que é a cena ballroom.
O espaço, próximo ao Palco Sunset, convidava o público a se expressar como sentisse melhor em pequenas competições com a mesma energia das competições do movimento. Para garantir uma experiência autêntica, a equipe acertou na música eletrônica, no mestre de cerimônias, distribuiu leques para a plateia e proporcionou uma verdadeira festa que celebra as diferenças.
O Gueto Geek foi conferir de perto a ativação, a convite do Trident, e se encantou com a resposta sincera do público. Todo tipo de pessoa se despia dos preconceitos e entrava na brincadeira. Mulheres no auge da melhor idade, homens hetéros acompanhando as suas namoradas, pessoas de todas as cores e raças… Todos eram contagiados com a energia libertadora que só existe no ballroom.
Mesmo sem saber todo o contexto envolvido, aquelas pessoas estavam ajudando a manter viva no Brasil uma tradição que foi o único refúgio para muitos das comunidades pretas e queer. Um lugar onde puderam encontrar uma nova família e um novo motivo de alegria, como aconteceu no Rock in Rio, naquelas duas semanas.
Outros destaques do Rock in Rio
Além do Trident, outras marcas também acertaram em cheio na experiência. A Lagunitas, por exemplo, transformou o seu food truck em um aconchegante pub gringo, em que as pessoas podiam chegar e curtir um karaokê com a galera. Quase como um comercial de cerveja.
O Doritos acertou no cardápio, com uma versão aperitivo de bar de suas tortilhas, o Doritos Turbo, distribuído em seu estande. E, claro, o iFood e a Três Corações chamaram a atenção pelos brindes, com direito a câmeras e a pets digitais.
Mesmo quem não estava tão animado com atrações musicais teve muito para curtir com esta edição do Rock in Rio. Nem a completa falta de sol apagou o brilho do festival.
