The Blood of Dawnwalker acerta em cheio no seu texto e esconde bem os seus erros
The Witcher 3 é para muitos o melhor RPG já feito, em especial por suas missões e escolhas que colocam Geralt em dilemas que muitas vezes não existem uma saída totalmente boa. O jogo catapultou a CD Projekt Red a um estrelato que gerou uma expectativa gigantesca para Cyberpunk 2077 e que não foram atendidas.
Mas entre o fim do desenvolvimento de The Witcher 3 e a chegada conturbada de Cyberpunk muitas pessoas que trabalharam na produção protagonizada por Geralt deixaram a CD Projekt e formaram um estúdio próprio, a Rebel Wolf, para produzir um jogo com uma temática medieval, protagonizada por um vampiro.
Assim nasceu The Blood of Dawnwalker, um dos melhores jogos de 2026, que sabe muito bem suas limitações e constroem uma jornada que evidencia em quase todos os momentos os lados positivos que a obra consegue trazer.
Ficha Técnica

Título: The Blood of Dawnwalker
Plataformas: PlayStation 5, PC e Xbox Series S/X
Desenvolvedora: Rebel Wolves
Distribuidora: Bandai Namco
Data de Lançamento: 2 de setembro de 2026
Descrição: Você é Coen, humano de dia, vampiro de noite, lutando para salvar sua família em uma história moldada por suas ações e pelos segredos que descobre.
Confronte seu criador

The Blood of Dawnwalker nos leva para o Vale Sangora um local que foi afligido com força pela peste quando um grupo de Vrakhiris (como os vampiros são chamados na obra) liderados por Brencis assassina os nobres e toma o local para si. Sua estadia lá buscava melhorar a vida dos moradores, mas somente se eles doassem uma quantia de sangue toda lua cheia.
Assim Coen viveu por um tempo junto de sua família, que sofria com uma mãe perdendo um pouco de si com os horrores feitos pelos Vrakhiris. A vida do protagonista muda da noite para o dia quando um grupo de rebeldes tenta adquirir prata da mina próxima e Brencis mata diversas pessoas e no processo transformando Coen em um deles.
Ao confrontar seu criador, Coen é derrotado e iria morrer para a luz do sol, mas de alguma forma quando o dia chega seus novos poderes adormecem. De volta a si o jovem descobre que sua família junto de outros moradores foi sequestrada pelo seu criador e ele tem 31 dias para encontrar uma forma de resgatar ele.
Os 31 dias são um ponto de extrema importância, já que eles são realmente contados no jogo, dando já desde o início um grande senso de urgência, progredindo sempre ao completar alguma missão ou atividades. Limites de tempo muitas vezes não é algo muito bem visto por jogadores, principalmente para os complecionistas que buscam fazer tudo o que é permitido na obra.
Apesar de suas similaridades com The Witcher 3, principalmente no visual e trilha sonora, o escopo de The Blood of Dawnwalker é bem menor e seu mundo apesar de ter uma boa variedade de conteúdos, é muito mais limitado. Com isso, o limite dos dias acaba movendo o jogador sempre para o que ele acredita ser mais importante para preparar Coen para o seu confronto final.
Sua estrutura acaba se assemelhando um pouco a The Legend of Zelda Breath of the Wild, onde sua única missão principal é confrontar o chefe final. Caso o jogador queira partir imediatamente para enfrentar Brencis e seus aliados, é possível. Mas o recomendado é reunir aliados, ficar mais forte e derrotar os companheiros do Vrakhir antes do ataque direto.
Cada quest esconde um possível aliado, um novo poder, segredos sobre o mundo e mais importante um ótimo texto. Tudo o que cruzamos é interessante, fazendo que a recompensa seja mais presenciar esses momentos do que o que recebemos ao fim.
Ainda mais importante são as escolhas que precisam ser feitas em cada uma dessas missões. Na maior parte dos momentos Coen se depara com dilemas que precisam ser resolvidos, mas o trunfo aqui é que não existe a “escolha boa ou ruim”. Todas essas vão trazer benefícios e malefícios para o protagonista ou para o mundo à sua volta.
E isso não fica restrito à coisas que parecem de extrema importância como as missões com os rebeldes ou nos confrontos dos parceiros de Brencis. Talvez os encontros com o amigo cego do pai de Coen te dê um dilema perigoso, ou então procurar quem desenterrou o neto de uma senhorinha te leve para uma descoberta que mude sua percepção.
Existe uma boa parte de missões que parece que são somente para a construção daquele mundo, entender como é a vida naquele local e o impacto dos Vrakhiris, mas talvez 10 horas depois de tê-la completado algo sobre se tornará relevante.
Com isso o limite dos 31 dias acaba fazendo o jogador escolher melhor quem ele vai decidir ajudar ou não e isso coloca um peso no que decidimos fazer ou não. Durante o prólogo existem várias missões simples no vilarejo de Coen. É impossível completar todas antes do tempo limite e ao final desse breve arco podemos ver as consequências do que foi ou não resolvido.
Mas o tempo não está aí somente para a urgência, já que mecânicamente existem diferenças entre o dia e a noite, representando as duas facetas de Coen.
Vampirismo e bruxaria

Durante a noite Coen tem seus poderes Vrakhir permitindo que ele alcance locais mais altos, roube sangue de inimigos e animais para recuperar a vida e usar suas garras poderosas em combate. Por outro lado, certos personagens não vão reagir positivamente ao te ver e mais importante, com sua vida baixa Coen pode não conseguir controlar sua sede de sangue.
Isso é representado em mecânica com opções de diálogo sendo trocadas por “ceder a sua sede de sangue”. Mesmo que nas dificuldades mais baixas não seja difícil manter a vida cheia, o apreço de começar a conversar com algum personagem importante e ver a opção de atacar ele brilhando no lugar de algum diálogo vai percorrer o jogo inteiro, sendo uma das melhores formas de representar a sede de um vampiro em videogames.
Mas quando o sol dá as caras todos esses problemas e vantagens desaparecem, sendo em primeiro lugar mais fácil de interagir com outras pessoas. Coen não fica totalmente desprotegido, já que o manejo de espadas é um aprendizado que ele tem, mas também temos acesso a bruxaria e algumas magias de sangue.
Logo no início do jogo o personagem aprende a desenhar runas de sangue pelo seu corpo concedendo alguns poderes, em especial a possibilidade de falar com os mortos por um breve momento. Como ele precisa causar ferimentos pelo corpo, quando seus poderes Vrakhiri retornam, elas são curadas antes que algo possa fazer efeito.
A habilidade auxilia na exploração de algumas missões e caso Coen encontre algum item importante para a pessoa é possível adquirir mais informações ainda. Conversar com os mortos é bem mais grotesco e desconfortante que outros jogos que apresentam a possibilidade, como Baldur’s Gate. A pessoa demonstra uma constante agonia e as animações do corpo se contorcendo reproduzem bem o sentimento que o protagonista sente ao ter que realizar a ação.
Infelizmente, tirando as magias de combate, a magia de sangue não é muito relevante. Existem poucas situações em que vamos conversar com os mortos e elas acabam sendo simples demais, parecendo uma oportunidade perdida de algo que poderia estar mais presente no jogo.
O combate é construído em cima de direções. Os golpes de espadas podem ser direcionados em quatro direções diferentes, o mesmo vale para a defesa. Defender na direção certa funciona como uma espécie de aparada, dando uma vantagem para o personagem.
Inicialmente é um pouco difícil de se acostumar, principalmente o ritmo de atacar e defender, constantemente alterando sua direção, mas após algumas horas o combate se torna automático para o jogador e devido as animações de ataque torna tudo bem empolgante, principalmente com as finalizações. O que atrapalha é a pouca variedade de inimigos, já que na maior parte do tempo estamos enfrentando soldados padrões que estão com roupas diferentes definidas pelo seus líderes, mas trazendo o mesmo estilo de combate.
Para o primeiro jogo de um novo estúdio, principalmente tendo um mundo aberto, ele traz uma pouca quantidade de bugs e nada que recarregar o save não resolva. O único ponto negativo é que nas minhas 30 horas de jogo, na última missão quase todos os problemas foram presentes. Personagens desaparecendo, problemas na animação de fala e principalmente crashes que acabam deixando o que era para ser grandes momentos em algo um pouco frustrante.
The Blood of Dawnwalker

Veredito
The Blood of Dawnwalker sabe muito bem onde ele se destaca e onde seu orçamento não conseguiria brilhar. Com isso em mente o jogo consegue sempre colocar sempre em evidência sua narrativa e personagem, colocando a pouca variedade do mundo como apenas pequenos problemas.