Review: Dispatch prova que ainda existe espaço para jogos episódicos

dispatch capa
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Dispatch traz uma história impecável junto de um ritmo excelente de episódios

Em 2011 The Walking Dead tomou a indústria dos jogos de surpresa. A produção baseada nos quadrinhos feita pela Telltale trazia um jogo narrativo e episódico que foi sendo lançado ao decorrer daquele ano. Sua estrutura, história extremamente bem escrita e seu formato convidativo lançaram o estúdio ao sucesso e inspiraram outras empresas a tentarem o formato.

Depois da franquia de zumbis tivemos Game of Thrones, Wolf Among Us, Borderlands e até mesmo Minecraft. Mas com o passar dos anos os jogos foram se tornando repetitivos e a qualidade foi se perdendo. A união de diversos fatores resultou no fechamento da Telltale e parecia que os jogos nesse estilo morreriam juntos.

Nesse contexto onde jogos episódicos não são abraçados com muito entusiasmo que Dispatch chega, trazendo uma ótima história de super-herói e mostrando que ainda existe espaço para jogos episódicos e as qualidades que esse formato pode trazer.

Ficha Técnica

dispatch cover

Título: Dispatch

Plataformas: PlayStation 5 e PC

Desenvolvedora: AdHoc Studios

Descrição: Dispatch é uma comédia sobre o ambiente de trabalho de super-heróis onde as suas escolhas importam. Gerencie uma equipe de heróis e planeje quem enviar para as emergências

O trabalho de herói pode ser muito burocrático

Um ótimo elenco de personagens
Um ótimo elenco de personagens

Em Dispatch acompanhamos a história de Robert, que trabalhava contra o crime como Homem-Meca, seguindo os passos de seu pai e bisavô. Durante o confronto com Massacre ele tem sua armadura completamente destruída, ficando perdido sem saber o que fazer da vida.

Entre a desilusão, ele é então recrutado pela Loira Luminar que o coloca para comandar a Equipe Z, um grupo de vilões reformados que estão prestes a serem mandados embora da organização. Agora ele precisa buscar uma redenção para os antigos vilões e também para si mesmo.

Dispatch é dividido em 8 episódios, cada um com por volta de 1 hora e assim como os antigos jogos da Telltale temos diversas escolhas ao longo de cada um deles. Seja alterações de diálogos, escolha de ações e algumas outras escolhas que geram um impacto maior na trama.

Mesmo que nem todas afetem verdadeiramente a jornada de Robert, ela permite dar uma personalidade mais própria para o protagonista e também moldar a relação com os outros integrantes da Equipe Z. Como líder deles, suas interações vão afetar o desempenho deles no trabalho de salvar a cidade.

O fato dos episódios serem curtos transmitem bem toda a sensação de assistir uma série. Seja com episódios com um foco maior no passado de determinado personagem ou o encerramento que deixa um gostinho de quero mais na boca do jogador.

Os episódios terem sido lançados semanalmente também colaborou para um bom ritmo com dois episódios, totalizando cerca de duas horas por semana lentamente construindo o mistério que leva para os grandes momentos que finalizam a caminhada de Robert. Mas nada disso funcionaria tão bem se Dispatch não fosse tão bem escrito.

Heróis ainda podem trazer boas histórias

suas escolhas moldam o protagonista
suas escolhas moldam o protagonista

Comédia é um gênero difícil de ser feito e ainda mais nos videogames, diversos jogos que tentam tirar risada de seu público ou fazer uma sátira acaba falhando, como é o caso da franquia Borderlands atualmente. Outro caso bem mais próximo de Dispatch é o Guardiões da Galáxia feito pela Telltale que apesar de ter alguns momentos bem divertidos não consegue fazer o humor funcionar sempre e principalmente tem dificuldades na transição de tom quando precisa ser um pouco mais sério.

Mas diferente da adaptação dos jogos da equipe da Marvel, Dispatch consegue muito bem dosar seu humor com momentos sérios e tem algumas boas transições de tom que podem com facilidade pegar o jogador desprevenido. É difícil não comparar a jornada de Robert e a Equipe Z com Guardiões da Galáxia, a formação de uma equipe de desajustados que de pouco a pouco vão se tornando uma família é exatamente o que é visto no longa de James Gunn.

A diferença é que aqui existe alguma agência no progredir da narrativa. É possível se aproximar mais de certos personagens ou se afastar de outros. Não espera nada muito drásticos, mas Dispatch consegue não só dar a ilusão de que cada diálogo importa mas entregar uma surpresa ou outra na forma de como se lida com Robert ao longo dos 8 episódios.

Unido com a ótima história está o trabalho de voz dos personagens. Com nomes de peso como Aaron Paul no papel de Robert e Laura Bailey como Invisiva. Mas quem rouba a cena com tudo é Matthew Mercer dando voz para Massacre, um vilão que pode até parecer pouco, mas sempre que está em cena consegue emanar a aura de perigo surpreendente. O momento que ele se revela finalmente é um dos ápices de diversos aspectos de Dispatch, mas em especial as transições de comédia para um drama.

Por outro lado, o último fator da gameplay de Dispatch e seu ponto mais fraco é o trabalho de despachar heróis. Todos os dias você no comando de Robert acesse o mapa da cidade e precisa responder aos pedidos de ajuda enviando o herói certo, com base em seus atributos, seja força, resistência ou carisma.

Nos primeiros episódios é uma distração divertida e dá ao jogador um pouco mais para se fazer antes dos momentos impactantes. Mas como não existe nenhuma grande adição às mecânicas tudo fica bem repetitivo com certa facilidade e às vezes parece só uma barreira para os grandes momentos do jogo.

Dispatch

Ygor Ferreira

dispatch nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Mesmo com um problema ou outro, Dispatch é uma experiência que une muitas coisas consideradas saturadas na cultura pop atualmente e mostra que com um pouco de criatividade é possível renovar e entregar uma das maiores surpresas de 2025.

4.8