Mortal Kombat II para de inventar moda e se concentra em explorar as ideias que nasceram nos jogos
O retorno do Mortal Kombat aos cinemas em 2020 foi, no mínimo, esquisito. Para começar, o lançamento nem aconteceu nas telonas de fato. No meio da pandemia de covid-19, o jeito foi lançar direto no streaming e a pior parte é que, devido a escolhas criativas questionáveis, o filme tinha mesmo cara de adaptação barata de televisão. Para a sequência, os produtores reavaliaram completamente a rota e construíram uma verdadeira homenagem aos fãs dos jogos. Mortal Kombat II é brutal, frenético e digno dos jogos clássicos.
Ficha Técnica

Título: Mortal Kombat II
Estúdio: Warner Bros
Estreia: 7 de maio
Duração: 1h 56min
Gênero: Ação
Diretor: Simon McQuoid
Roteirista: Jeremy Slater
Elenco: Karl Urban, Adeline Rudolph, Tati Gabrielle e mais
Sinopse: Kitana precisa se juntar ao Raiden e seus guerreiros para tramar um golpe de estado contra Shao Khan, o usurpador de seu trono.
O que esperar de Mortal Kombat II?

O primeiro filme dividiu opiniões, mas a sequência vem pra agradar. Dá para dizer que o primeiro filme, Mortal Kombat, seguia a escola Sonic de adaptações. Esses projetos que parecem ter vergonha do material original e adoram criar personagens novos, que não existiam nos jogos, e trazem a história para o mundo real. Afinal, imagina que absurdo uma história em um universo fictício?
Já o Mortal Kombat II segue os passos de Super Mario e não tem vergonha de mostrar todas as suas conexões com os games. Os novos protagonistas são Kitana e Johnny Cage, o novo cenário é a Exoterra e a história segue bem de perto a origem da maioria dos personagens. É uma tradução digna da franquia original, com todo o sangue e brutalidade que tem direito.
Um dos momentos mais legais, inclusive, é quando o filme se joga completamente na estética dos jogos. Em uma luta específica, por um breve instante, a câmera muda completamente para filmar os atores por uma perspectiva lateral, igual a usada nos jogos. É um pequeno detalhe, assim como as frases de efeito que brotam aqui e ali, que mostra que os produtores realmente se importaram em agradar quem gosta de jogar.
A história faz um malabarismo surpreendente para começar do zero sem ignorar os acontecimentos do primeiro longa. Depois de pressionar os defensores do Plano Terreno no primeiro filme, os guerreiros de Shao Kahn estão de volta. Dessa vez para para uma batalha final por Mortal Kombat. Caso saiam vitoriosos, o tirano se tornará o novo ditador deste plano, como fez com a terra de Kitana. Mas a princesa de Edenia tem um plano para que essa tragédia não se repita e vai contar com a ajuda de Raiden, seus discípulos e um tal de Johnny Cage.
Alguns elementos pontuais estabelecidos no primeiro filme tem continuidade aqui. Afinal, evita o trabalho de introduzir essas ideias tudo de novo. O Kano já é o lutador com olhos de raio laser que conhecemos. Cole Young, que só existe nos filmes, é um sucessor do legado de Scorpion, que está morto, como o Kung Lao. Esses pontos são retomados sem grande alarde, o que ajuda a acelerar o ritmo do filme para se concentrar no que realmente importam: as lutas.

As sequências de batalha, bastante frequentes, nunca decepcionam. São rápidas e dinâmicas, explorando sempre o que os personagens têm de melhor. O arsenal de ataques é tirado diretamente dos jogos, mas não é só no quesito golpes que surpreende. No emocional também. O quanto um personagem é covarde ou orgulhoso se traduz na batalha, o que fica bem claro com o próprio Johnny Cage.
Karl Urban destrói no papel do herói. Ainda mais com a escolha de seguir por uma trama mais cínica, como a do jogo Mortal Kombat 1. O ator é craque em construir uma aura de quem não está nem aí, como fez muito bem em The Boys, e consegue equilibrar bem seus conflitos internos com o lado mais cômico.
Mas, sem dúvidas, a grande surpresa está mesmo na Kitana de Adeline Rudolph. Ela é a âncora emocional, que concentra todo o drama com seu passado trágico. Como a Mileena foi desperdiçada sem grande aproveitamento no primeiro filme, seu papel na história é substituído pela Jade de Tati Gabrielle, a atriz da série Sabrina. E a dinâmica entre a dupla não poderia ser mais complicada e sincera.
Esse sentimento que o filme poderia ser ainda melhor se o primeiro não tivesse desperdiçado tantos personagens retorna a todo momento. A participação de Bi-Han e Hanzo Hasashi, Sub-Zero e Scorpion, acaba sendo uma pequena nota de rodapé exatamente por conta de como os personagens já foram explorados na produção anterior. Uma lástima que deve ser consertada na sequência, que promete trazer o ninja flamejante de volta aos holofotes.
No final, Mortal Kombat II é para os fãs dos jogos e de filmes de ação. Esse não é um longa com uma mensagem ou algo a dizer. É uma história direto de um jogo de Mortal Kombat! As lutas são incríveis e os personagens tem passados complicados. Os efeitos especiais se sustentam muito bem e as surpresas são encaixadas de forma certa. Mais uma boa adaptação de videogame.
Mortal Kombat II

Veredito
Finalmente uma adaptação digna de uma das maiores franquias de luta.




