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Review – Dosa Divas é um prato cheio contra a escala 6×1, com um sabor de “Encanto” com “Steven Universe”

Gabriel Mattos 18/04/2026 5 minutes read

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Dosa Divas CAPA

Jogo indie mistura ingredientes saborosos de grandes clássicos em receita de sucesso

Não basta uma receita perfeita para fazer uma comida gostosa. Também é preciso escolher os ingredientes certos. Misture o drama familiar de “Encanto” com a empatia sincera de “Steven Universe” até dar liga para a história. Acrescente uma pitada de robôs gigantes cozinheiros à gosto. Salpique o sistema de batalha dinâmico de “Mario e Luigi” com um toque especial de “Bravely Default” e o resultado é Dosa Divas, um delicioso RPG de turnos que surpreende logo na primeira mordida.

Ficha Técnica

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Título: Dosa Divas

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2 e PC

Data de Lançamento: 14 de abril

Gênero: RPG de turnos

Desenvolvedora: Outerloop Games

Distribuidora: Outerloop Games

Descrição: Um império de fast food ameaça a humanidade de uma comunidade salva por duas garotas e um robô gigante.

O que achamos de Dosa Divas?

De cara, o jogo chamou a minha atenção pela coragem de trazer um elenco completamente racializado. As grandes protagonistas da história são irmãs de uma família misturada, com um lado afrolatino e outro indiano. Claro que a junção de culturas traria um certo conflito, mas o que me surpreendeu é que este não é o grosso da história. Apenas a base.

O que separa essa família não é nenhuma dinâmica cultural e sim a forma com que são atravessadas pelo capitalismo tardio. A grande vilã é a irmã caçula, Lina, que construiu um gigante império empresarial de comida ultraprocessada. Cozinhar é proibido em seu domínio e ela conta com uma horda de advogados e programadores prontos para lutar para acabar com a cultura de cozinhar presente nas comunidades locais.

Essa briga, tão presente no roteiro, é traduzida em jogabilidade, diretamente no sistema de combate do jogo. Advogados atacam com papéis burocráticos e o pessoal da tecnologia com seus computadores em rápidas batalhas de turno. O desafio é defender no momento certo, como na franquia “Mario & Luigi”, para evitar grandes danos. 

Essa proposta ajuda a quebrar o estilo passivo tradicional do gênero ao exigir que os jogadores estejam sempre atentos para contra-atacar. Também há um nível de experimentação exigido ao tentar descobrir as fraquezas aleatórias dos adversários, como em “Pokémon”. E ainda uma dimensão estratégia ao decidir quando fortalecer seus ataques com um sistema de bônus no estilo de “Bravely Default”. 

Cada turno, o jogador pode ganhar um ponto de bônus ao decidir não melhorar suas técnicas e guardar para o momento certo. Escolher quando ir com tudo e quando maneirar deixa as batalhas ainda mais dinâmicas, fugindo das armadilhas do gênero. Pena que a variedade limitada de movimentos disponíveis impeça que as lutas não se tornem repetitivas rapidamente. Sorte que a jogabilidade tenha mais a oferecer para tornar as coisas interessantes.

Afinal, cozinhar não é apenas um símbolo de pequenos rituais de humanidade que abrimos mão em nome da produtividade extrema do capitalismo tardio. A culinária está no centro de tudo que é feito no jogo. As missões principais e secundárias exigem que o jogador descubra receitas para agradar moradores de cada cidade. Até nas batalhas, a forma mais efetiva de se recuperar é com comidas preparadas pelas próprias protagonistas. E a forma como isso se materializa no game é através de minigames rítmicos que podem ser acessados a qualquer momento.

Não é nada muito complexo, mas vende a fantasia gastronômica. O jogo pede que se reúna ingredientes pelo sabor e origem para montar pratos especiais. Depois é só apertar os botões na hora certa em uma variedade razoável de minijogos. O problema é quando o jogo tenta tornar as coisas mais complexas e acrescenta obstáculos que só torna a experiência mais irritante. Novas opções de minigames ou dificuldades mais exigentes seriam alternativas mais interessantes.

Outro problema ainda mais grave é a exploração. O game oferece meia dúzia de cidades para conhecer, porém os mapas são visualmente difíceis de distinguir. Explorar o mundo é uma experiência confusa e segmentada, que acaba afastando mais que incentivando o jogador a interagir com o mundo. A vontade é simplesmente correr até os pontos indicados no mapa para começar o próximo ponto da história, que sempre compensa a confusão.

O roteiro, de longe, é onde Dosa Divas se destaca. A história sabe equilibrar muito bem os temas sociais latentes com um drama familiar complexo e verdadeiro. Enquanto tece um cenário palpável de exploração, com uma rotina tão cruel de trabalho quanto à escala 6×1, e condições ainda mais absurdas de convívio, o texto coloca como algozes pessoas que claramente têm um coração bom. Impossível não se questionar o que aconteceu para essas pessoas chegarem nesse ponto, o que desperta a curiosidade do jogador.

Dosa Divas rompe completamente com o maniqueísmo típico dessas histórias. A intenção não é vilanizar empresários ou vitimizar a família destruída pelo capitalismo. A proposta da história é entender e investigar o que poderia ter sido diferente. É analisar o lado mais humano em heróis e vilões que o levaram a seguir esses caminhos e questionar se realmente merecem esses rótulos quando o verdadeiro culpado é um sistema voraz e insaciável. Uma sensibilidade que lembra bastante “Steven Universe” com personagens que parecem tirados de “Encanto”.

Dosa Divas

Gabriel Mattos

Dosa Divas Comida
“Um prato cheio contra a escala 6×1”
Visual
Roteiro
Jogabilidade
Exploração

Veredito

Um sabor de RPG socialmente crítico, como Final Fantasy VII, em uma porção expressa,

4

Código do jogo cedido gentilmente pelos desenvolvedores para análise para o console Nintendo Switch 2.

  • Review: Marathon pode ser enfuriante mas nunca entediante;

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Gabriel Mattos

Editor

Repórter de cultura pop experiente com experiência em games, coberturas de eventos, entrevistas e críticas de cinema.

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