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Review: The Knightling me divertiu quando outros games só me cansaram

Gabriel Mattos 14/09/2025 5 minutes read

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The Knightling CAPA

The Knightling se inspira em mecânica muito específica de Breath of the Wild para criar aventura relaxante

Crescer se tornou uma obsessão nada saudável da indústria dos games. Cada console precisa ser mais robusto que o anterior, os mapas precisam ser maiores, gráficos mais realistas, conteúdo mais longo… Em algum momento, a coisa desandou de um jeito que, de tempos em tempos, eu sinto uma preguiça de simplesmente sentar para jogar. Estava com essa saturação recentemente, procurando algo antigo para me divertir, quando The Knightling chegou sorrateiro me entregando tudo que eu queria.

Ficha Técnica

The Knightling Ficha

Título: The Knightling

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC

Data de Lançamento: 28 de Agosto

Gênero: Ação e Aventura/Plataforma

Desenvolvedora: Twirlbound

Distribuidora: Saber Interactive

Descrição: Um jovem escudeiro precisa salvar seu cavaleiro de um destino terrível com apenas um escudo e muita coragem.

O que esperar de The Knightling?

IMG

O jogo é uma mistura do que há de melhor dos gigantes do passado. De um lado, tem a mesma energia empolgante de aventuras épicas, em um mundo denso repleto de áreas exóticas para explorar, como The Legend of Zelda: Ocarina of Time. De outro, tem uma movimentação esquisita e gostosa por si só, que só é vista no quase extinto gênero de plataforma 3D, em clássicos como Banjo-Kazooie e Super Mario 64. Desse mix de influências nostálgicas nasce The Knighling.

A premissa é bem simples. O jogador acompanha a jornada de um jovem escudeiro de um cavaleiro lendário em um cenário típico de fantasia medieval. No meio de uma missão, eles se deparam com um inimigo que achavam ter sido extinto. O corajoso cavaleiro persegue esse vilão misterioso aos confins do mundo, deixando para trás apenas seu escudo mágico. Cabe a seu escudeiro conseguir ajuda na cidade para resgatar o seu mestre.

Ter um escudo como arma principal, em si, já é uma baita quebra de paradigma que mexe completamente na fórmula clássica de jogos de ação medieval. A mudança é um sinal claro para o jogador que, neste universo, defender e esperar a melhor hora de contra-atacar é crucial. Aguardar a hora certa de rebater golpes com um parry nunca foi tão satisfatório. Talvez só em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, jogo em que a mecânica funciona de forma bastante similar.

IMG

Falando no melhor jogo de todos, ele também serviu de inspiração para a principal mecânica de locomoção do jogo: o surfe no escudo. No clássico de Nintendo Switch, deslizar por colinas como um inusitado snowboarding fora de hora podia ser divertido, mas dificilmente era feito pelos jogadores devido ao sistema de desgaste das armas. The Knightling pegou esse sistema muito subestimado do título da Nintendo e deu uma nova vida trazendo para o centro de sua experiência.

Assim como em Super Mario Odyssey toda a movimentação fluida de Mario envolve seu chapéu, em The Knightling, todas as peripécias do jogador vão usar seu escudo mágico. Que, coincidentemente, também fala e tem uma personalidade cativante. Além de deslizar por colinas, também é possível planar com o escudo e acelerar em gramas encantadas. A chave é manter sempre o momentum fluindo, como nos melhores jogos do Sonic.

Explorar ambientes complexos como um jogo de Zelda com a fluidez de um jogo do Mario é uma experiência revigorante, mas não sem seus problemas. Ao tentar encontrar um meio termo, o jogo não aposta tanto quanto deveria na liberdade de movimentação do jogador. Afinal, cada combinação de saltos bem executada pudesse ajudar a atravessar qualquer obstáculo, seria muito simples superar as dungeons estilo Zelda. Por isso, em alguns momentos as sessões de plataforma acabam parecendo meio duras, como se esses sistemas estivessem em pleno conflito.

The Knightling Combate

O combate também sofre de uma crise de identidade. Para abrigar a arma inusitada, um bom timing assumiu o holofote do sistema, mas a variedade ficou esquecida. Não existe uma grande quantidade de golpes para se aprender ou diferentes inimigos para se enfrentar, fazendo que os conflitos fiquem enjoativos bem rápido. Somente os chefes quebram um pouco esse paradigma, mas não chegam a ser tão memoráveis para compensar o gosto esquisito.

Felizmente, The Knighling compensa lutas capengas com excelentes quebra-cabeças, que são a alma da experiência. As dungeons e até o caminho até elas estão repletos de desafios lógicos que usam ao máximo as ferramentas ao seu dispor. Vez ou outra os obstáculos exigem mais habilidade técnica. Por via de regra, o cérebro é a sua maior arma.

Além da jogabilidade, roteiro é outra área em que o jogo brilha. A história lembra bastante uma versão diluída e simplificada de O Senhor dos Anéis, o que nunca é uma má ideia para uma trama de fantasia tradicional. The Knightling mexe apenas alguns pauzinhos para surpreender o público em certos momentos, mesmo que de uma forma que beira o previsível. A execução, contudo, é a melhor parte, com um texto que poderia facilmente estar em um filme qualquer da Disney.

The Knightling

Gabriel Mattos

The Knightling Cavaleiro
Jogo de plataforma e exploração
Visual
Roteiro
Jogabilidade
Level Design

Veredito

The Knightling não tem tenta ser grande, mas sim divertido. O jogo resgata a filosofia de uma época em que jogar videogame era sobre não ver o tempo passar e se perder em um mundo mágico. Sem gráficos realista ou a escala de mundo aberto moderna, o game se permite ser apenas um jogo em uma era que os demais se tornaram meros produtos. Pode não ser perfeito na sua execução, mas definitivamente tem coração.

4

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Gabriel Mattos

Editor

Repórter de cultura pop experiente com experiência em games, coberturas de eventos, entrevistas e críticas de cinema.

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