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Review: Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii promete uma gostosa bagaceira e entrega muito mais

Gabriel Mattos 07/03/2025 8 minutes read

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Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii CAPA combate

Game alopra mais ainda dentro de uma franquia conhecida por ser irreverente

Nada pode te preparar para o delicioso caos de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii. Produzido pelo Ryu Ga Gotoku Studio, subsidiária da SEGA, o novo capítulo da adorada novela gamer, que abraça o melodrama do crime organizado japonês, muda completamente de cenário nesta nova aventura. O tradicional centro urbano do Japão abre espaço para um mergulho lúdico nas praias tropicais do Havaí — uma troca que não podia chegar em um melhor momento.

Ficha Técnica

Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii Cover Capa do Jogo

Título: Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC

Data de Lançamento: 21 de fevereiro

Gênero: Ação e Aventura, Mundo Aberto

Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoku Studio

Distribuidora: SEGA

Descrição: Goro Majima perdeu as memórias de sua vida como Yakuza e embarca em uma nova aventura como um pirata no Havaí.

Por águas desconhecidas

Afinal, quem já ouviu falar, mesmo que por alto, da franquia Like a Dragon, sabe que a sua grande marca são os momentos completamente inusitados. Do kappa escondido nos esgotos de Yakuza 4 ao jeito exagerado que Kiryu atende ao telefone em Yakuza 0, não faltam momentos absolutamente ridículos na franquia, que arrancam risadas sinceras dos jogadores. O problema é que, quando se cria a expectativa para sempre esperar o inesperado, fica cada vez mais difícil surpreender o seu público. Pirate Yakuza in Hawaii consegue contornar esse problema, do próprio legado da franquia, adicionado o lado pirata à fórmula Yakuza.

Um bando de adultos vivendo a sua fantasia pirata pelos mares polinésios em um cenário contemporâneo já soa ridículo o suficiente, mas eles sempre conseguem se superar. A situação mais doida do game é sempre a próxima. Flerte com tigres filhotes, caras em fantasias de mascotes agindo como cafetões, turnês de idols do j-pop que terminam em porradaria… Exemplos não faltam, tanto na história principal quanto nas missões secundárias. Com muita criatividade, os roteiristas conseguem manter a peteca fluindo de uma esquisitice para próxima, um ritmo que, por pouco, não é perdido no quesito jogabilidade.

Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii Bagaceira

As lutas estão longe de ser os momentos mais empolgantes da experiência. Mesmo que os adversários mudem bastante de visual e ganhem nomes engraçados, não é difícil perceber que todos agem de uma forma bastante parecida ao longo da aventura, até mesmo os chefes. São poucas exceções que se salvam, como um criminoso que luta inspirado em movimentos do sumô. Poderia ter um gosto extremamente repetitivo, não fosse a fluidez do próprio Goro em combate.

O herói esquecido tem acesso a dois estilos bem distintos. Lutando como um Yakuza, ele recebe acesso a golpes mais brutos, diretos e impetuosos, perfeitos para subjugar um chefe poderoso no soco, como se faz no Japão. Já o estilo pirata apresenta uma opção mais ágil, que domina facilmente grandes grupos de inimigos com os cortes amplos de suas duas espadas. Alternar de estratégias, usando o cenário a seu favor, acrescenta uma variedade interessante que mais que compensa pelos inimigos tediosos, algo que se repete na exploração marítima.

Além de caminhar pelos amplos cenários de diferentes ilhas polinésias, Goro e sua tripulação ainda podem velejar pelos mares em seu próprio navio: o Goromaru. A navegação não perde sequer para os mais marcantes games do tipo, como Assassin’s Creed: Black Flag ou The Legend of Zelda: The Wind Waker. Controlar a embarcação apresenta um equilíbrio crível entre uma movimentação prática e pesada, que traz seus próprios desafios.

Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii Navio

Como um bom posicionamento é a chave para a vitória no alto mar, aprender a manobrar o navio da maneira certa é crucial para dominar os combates navais. Esses encontros não costumam ser particularmente difíceis, mas nunca deixam de ser divertidos, especialmente quando surge a oportunidade de testar novos canhões mirabolantes, como o lança-chamas e o raio laser. No coliseu de Madlantis, enfrentando uma série de piratas perigosos, a experiência com o navio mostra o seu melhor lado, mas quando o jogador decide se aventurar no mar aberto a coisa muda de figura.

O maior problema é a forma nada orgânica como o mapa é estruturado. Diferente de Wind Waker, o oceano de Pirate Yakuza in Hawaii funciona como uma âncora, afundando a experiência. Enquanto no clássico da Nintendo, a proposta do imenso mar contínuo era costurar pedaços de exploração em uma experiência coesa de mundo aberto, o novo jogo da SEGA parece tratar o oceano como uma mera formalidade. Algo que não poderia faltar em um jogo de piratas, mas que não era a grande paixão da equipe de desenvolvimento.

Na hora de construir o mundo do game, a terra firme recebeu mais atenção que os seus oceanos. Da pequena Ilha Rich à enorme Honolulu, a maior ilha do Havaí, cada cidade oferece uma quantidade esperada de atividades para entreter o jogador. As menores focam em oportunidades de colheita, pesca e culinária, reforçando a imagem rural que pretendem passar, enquanto a metrópole polinésia apresenta uma variedade absurda de passatempos, de bandidos para derrotar à jogos de azar. Não perde em nada para outros bastiões do mundo aberto, como The Witcher 3 e GTA V. Pelo contrário, em muitos momentos, Pirate Yakuza in Hawaii consegue ser ainda mais divertido.

Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii luta

Muito graças à infinidade de minigames disponíveis em cada ilha. Variando em complexidade, estes objetivos opcionais injetam uma variedade tremenda de opções de jogabilidade, flertando com os mais diferentes gêneros da indústria. De ritmo musical, no karaokê, a jogos de azar tradicionais, como pôquer e vinte e um… Até mesmo simuladores completos de consoles antigos da SEGA, como o Master System, estão disponíveis para entreter o jogador. Tem algo para cada um nas praias do game, sempre com uma jogabilidade simples, divertida e fácil de aprender.

O que não funciona em Pirate Yakuza in Hawaii?

Em comparação, explorar o alto mar parece tão empolgante quanto mergulhar em uma piscininha de plástico — quebra o galho, mas parece apenas uma imitação de algo que deveria ser grandioso. Quando você está pegando o gosto de disparar no mar azul com seu navio, hasteando sua bandeira pirata contra o vento, o mapa chega ao fim e exige que o jogador use uma série de menus para escolher o próximo destino. Quebra completamente o ritmo, como uma âncora ativada no momento errado. Faz com que o mar aberto pareça um lugar claustrofóbico.

E falando em problemas de ritmo, a história principal não ajuda muito a combater essa sensação frustrante. No papel do pirata amnésico Goro Majima, o jogador precisa ajudar o jovem Noah a seguir o seu sonho de conhecer o mundo além dos mares, a despeito do seu pai. Uma premissa meio Moana, da Disney, só que para adultos com um gosto refinado.

Like a Dragon Pirate Yakuza in Hawaii Mundo Aberto

O fato da trama ser tão confusa quanto o jogo mais fraco de Kingdom Hearts não é exatamente um problema. A história que está sendo contada é até interessante, com direito a seitas religiosas, conspirações governamentais e tesouros misteriosos. A questão é como a narrativa interfere na liberdade do jogador, limitando a quais atividades o jogador tem acesso de um jeito bem frustrante.

Em certo momento, por exemplo, assim que o jogador consegue acesso a Honolulu, a navegação marítima, e todas as ilhas que dependem disso, ficam bloqueadas até o progresso em missões pouco interessantes da trama principal. Em outra situação, personagens sugerem desvios obrigatórios, que fariam mais sentidos como missões secundárias, em momentos urgentes da trama. Por mais que o caos de Pirate Yakuza in Hawaii costume ser bem-vindo, a forma bagunçada que equilibra a trama e a narrativa poderia ser evitada.

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii

Gabriel Mattos

IMG
Princess
Visual
Roteiro
Jogabilidade

Veredito

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii entrega a experiência mais bagaceira da franquia até agora, repleta de minigames absurdos, situações estranhas e tudo que os fãs mais gostam. Nem mesmo o problema de ritmo consegue estragar esse delicioso caos.

4.5

Leia também:

  • Fairy Tail 2, Like a Dragon Pirate e mais: O que esperar dos jogos inéditos da BGS 2024?;
  • Review: Monster Hunter Wilds leva a franquia ao seu ápice;

Análise feita com cópia antecipada de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii gentilmente cedida pela assessoria da SEGA para PS5.

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Gabriel Mattos

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Repórter de cultura pop experiente com experiência em games, coberturas de eventos, entrevistas e críticas de cinema.

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