Exposição que celebra a comunidade negra LGBTQ+ estreia em museu de São Paulo
O Instituto Moreira Salles (IMS) Paulista recebe, a partir de 22 de fevereiro, a primeira exposição individual da artista sul-africana Zanele Muholi no Brasil. Intitulada Beleza Valente, a curadoria reúne mais de 100 obras, incluindo fotografias, vídeos, pinturas e uma escultura de bronze, que celebram a beleza e a resistência da comunidade negra LGBTQIAPN+. A mostra fica em cartaz até 23 de junho.
Quem é Zanele Muholi?
Nascida em 1972 em Umlazi, na África do Sul, Zanele Muholi é uma artista visual não-binária consagrada que une arte com ativismo por justiça social. Sua trajetória é marcada pela luta contra o racismo, o preconceito e a violência de gênero, especialmente em um país que, apesar do fim do apartheid em 1994, ainda enfrenta graves desigualdades sociais.
Muholi começou sua carreira como fotógrafa documental, registrando episódios de violência contra a comunidade LGBTQIAPN+. Com o tempo, seu trabalho evoluiu para retratos e autorretratos que celebram a beleza e a diversidade dessa comunidade, desafiando os padrões coloniais e heteronormativos da fotografia.
O que esperar da exposição?

A exposição Beleza Valente traz um panorama da carreira de Muholi, desde seus primeiros trabalhos, nos anos 2000, até obras inéditas produzidas recentemente no Brasil, em 2024. Entre os principais destaques estão:
- Faces e Fases (Faces and Phases): Um projeto iniciado em 2006 que reúne retratos de pessoas negras lésbicas, não-binárias e transgêneras masculinas. As fotografias documentam as transformações individuais e coletivas ao longo do tempo, criando um arquivo histórico dessa comunidade.
- Somnyama Ngonyama: Série de autorretratos em que Muholi usa objetos cotidianos para criar imagens poderosas que refletem sobre identidade, ancestralidade e resistência. O título, que significa “Saúdem a Negra Leoa”, em zulu, é uma homenagem à mãe da artista, Bester, que trabalhou como empregada doméstica durante o apartheid.
- Bravas Belezas (Brave Beauties): Retratos de participantes do concurso Miss Gay RSA, que desafiam os padrões tradicionais de beleza. As fotografias destacam a diversidade e a autoexpressão da comunidade LGBTQIAPN+.
- Apenas Meio Quadro (Only Half the Picture): Série que documenta vítimas de violência de gênero e racial, mostrando cicatrizes físicas e emocionais, mas protegendo as identidades das pessoas retratadas.
Além dessas séries artísticas, a exposição inclui obras inéditas produzidas durante a residência artística de Muholi em São Paulo, onde a artista conheceu organizações e instituições LGBTQIAPN+ locais, estabelecendo um diálogo entre as lutas por direitos na África do Sul e no Brasil.
Arte como ativismo
Para Muholi, a fotografia vai muito além de uma ferramenta para construção de memória. “Eu uso a fotografia para confrontar e curar, por isso me denomino ativista visual”, afirma a artista. Seu trabalho não apenas documenta a realidade da comunidade negra LGBTQIAPN+, mas também cria novos imaginários, desmontando estereótipos e reivindicando a beleza e a dignidade de pessoas historicamente marginalizadas.
A curadoria da exposição, assinada por Daniele Queiroz, Thyago Nogueira e Ana Paula Vitorio, destaca a importância do arquivo construído por Muholi. “Nomear e arquivar se tornam maneiras de sobreviver à morte física e resistir à morte simbólica, psicológica e intelectual que o sistema patriarcal branco e heterossexual tenta impor”, explica Queiroz.
Programação de abertura
No dia 22 de fevereiro, Zanele Muholi estará presente no IMS Paulista para uma conversa com o público às 15h, acompanhada pela equipe curatorial. Às 17h, haverá uma sessão de autógrafos do catálogo da exposição, que será lançado na ocasião. Todos os eventos são gratuitos, e a programação completa pode ser conferida no site do IMS.
Resumo
- Exposição: Beleza Valente – Zanele Muholi
- Local: IMS Paulista (Av. Paulista, 2424)
- Data: 22 de fevereiro a 23 de junho de 2024
- Horários: Terça a domingo, das 10h às 20h (quinta-feira até as 22h)
- Entrada: Gratuita
Essa é uma oportunidade imperdível de mergulhar no universo de Zanele Muholi e celebrar a beleza e a resistência da comunidade negra LGBTQIAPN+.
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