Romeo is a Dead Man esbanja carisma e esquisitice, mas não sustenta a própria ousadia
O público sabe e a indústria está aprendendo: a esquisitice tem o seu valor. Em uma era em que a cultura está cada vez mais genérica, refém de algoritmos, o esforço de fazer algo estranho e original merece ser aplaudido. Essa veia bizarra deu origem a clássicos instantâneos como o anime DanDaDan, o filme Parasita e a série Poker Face. Romeo is a Dead Man surge com a mesma proposta. Pena que o novo game do Suda51 se preocupe tanto em ser esquisito que se esqueça de ser um bom jogo.
Ficha Técnica

Título: Romeo is a Dead Man
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
Data de Lançamento: 11 de fevereiro
Gênero: Ação
Desenvolvedora: Grasshopper Manufacture
Distribuidora: Grasshopper Manufacture
Descrição: Jogo de ação frenética hack’n’slash em um multiverso de nonsense.
O que achamos de Romeo is a Dead Man?

Este é mais um game de ação frenética no estilo hack’n’slash, como No More Heroes, uma marca da carreira do diretor. Só que, dessa vez, ao invés de uma paródia bem-humorada de Kill Bill e clássicos do cinema de ação, o alvo é a loucura do multiverso que inundou o cinema contemporâneo. Uma sacada inteligente que, infelizmente, não chega a lugar nenhum.
Com Romeo is a Dead Man, Suda51 parece entrar em uma discussão que não tem muito interesse. Soa como uma tentativa de surfar no assunto do momento. Falta um ponto de vista forte para acrescentar algo de relevante à conversa. O resultado é uma releitura de Romeo e Julieta, de Shakespeare, intencionalmente confusa, perdida e sem profundidade. O total oposto da obra que tenta homenagear.
Na trama, Romeo, o protagonista, é morto assim que o jogo começa por Juliet. Renascido por uma invenção futurista, ele se torna Dead Man, um assassino com um visual que lembra Chainsaw Man. Com essa nova força, o jovem é recrutado por uma agência de defesa do espaço-tempo que está caçando variantes da Juliet pelas dimensões, para impedir que ela acabe com tudo. Uma premissa um tanto promissora.

Contudo, não se engane pelo potencial da história. A jornada proposta por Romeo is a Dead Man não compensa. Mesmo com uma reviravolta interessante perto do final e um único personagem bem desenvolvido, o roteiro não consegue surpreender como ele mesmo espera. Não passa de uma colcha de retalhos de conceitos interessantes que nunca evoluem para além disso. O que compensa a história pobre é a apresentação visual caprichada.
Nesse quesito a esquisitice de Suda51 brilha como sempre. Diferente do visual genérico das sequências de exploração, toda a história e as principais mecânicas ganham uma estética única bastante expressiva. A narrativa vem através de uma história em quadrinhos. A árvore de habilidades é um jogo de navinha clássico. O centro de atividades traz uma pixel art de jogo antigo. Os golpes especiais são cultivados em um gacha de fazendinha. Tanto esforço foi aplicado para trazer uma identidade forte para esses elementos que surpreende que o mesmo não possa ser dito da campanha principal.
Quando o jogo volta para o cerne da sua jogabilidade, a exploração de fases, parece que toda a cor e a criatividade vão embora. Em teoria, cada nível se passa em uma época diferente, em uma dimensão diferente. Na prática, entretanto, todos parecem a mesma casa organizada de maneiras diferentes. A dimensão virtual, toda em uma grade crua, não ajuda a quebrar essa sensação de repetição, que se apresenta não apenas na estética, como também na jogabilidade.

Derrotar hordas de inimigos com explosões sanguinolentas chamativas é até interessante nos primeiros minutos. Porém, quando fica evidente que os comandos não sairão disso, a violência desenfreada perde a graça muito rápido. Os inimigos não são muito variados ou inteligentes, com exceção dos chefes. Os golpes à disposição do jogador também não são muito diversos. Combinando esses dois fatores, as coisas ficam muito maçantes muito rápido.
Nem as novas armas nem a trilha sonora incrível são capazes de mascarar essa triste realidade. Romeo is a Dead Man poderia brilhar em sua esquisitice se não esquecesse de consolidar uma base sólida para se manter. No final, acaba não sendo nem esquisito o suficiente para ser memorável. Ainda merece aplausos por ser ousado em uma época em que todos querem apostar no seguro. Pena que não sejam aplausos por sua qualidade.
Romeo is a Dead Man

Veredito
Romeo is a Dead Man é esquisito o suficiente para chamar a atenção, mas não o bastante para ficar na memória.