Sequência dobra a aposta do anterior e entrega uma experiência ainda mais refinada de Moonlighter
Moonlighter 2: The Endless Vault é uma daquelas ideias insanas que não deveriam funcionar. Como o anime Dungeon Meshi, o jogo aborda a clássica história de fantasia medieval sob uma perspectiva inusitada. Ao invés de acompanhar um grande guerreiro dedicado a salvar o mundo, o protagonista é um mercador, que só explora as masmorras em busca de novos tesouros para vender. Por mais esquisito que pareça, funciona muito bem. Ainda melhor que o seu antecessor.
Ficha Técnica

Título: Moonlighter 2: The Endless Vault
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC
Data de Lançamento: 2 de setembro
Gênero: Roguelike
Desenvolvedora: Digital Sun
Distribuidora: 11 Bit Studios
Descrição: Um mercador explora masmorras interdimensionais para conseguir tesouros para a sua loja, enquanto tenta barganhar pela reconstrução de seu mundo com uma entidade extradimensional.
O que esperar de Moonlighter 2?

A sequência dobra a aposta do jogo original e refina os elementos que já eram cativantes em uma experiência ainda mais viciante. A dinâmica central permanece a mesma: explorar masmorras de noite e vender os achados de manhã. Só que cada lado trouxe pequenas mudanças em seu funcionamento que evoluem a experiência em algo ainda melhor.
A grande novidade nas masmorras é a forma como o jogo lida com a geração procedural. Essa parte segue os princípios de um roguelike, como antes, só que agora traz ainda mais escolha ao jogador ao optar por uma abordagem similar ao Blue Prince. Após terminar cada sala, o jogador recebe alternativas de caminhos que pode seguir para continuar rumo ao chefe e escolhe os desafios e recompensas que mais lhe agradam.
Adiciona mais um elemento para equilibrar o risco e a recompensa, que é a alma do jogo. A própria dinâmica da masmorra já traz isso em sua essência. Os tesouros colecionados perdem valor em caso de uma derrota. Em contrapartida, é possível fugir do calabouço a qualquer momento, sacrificando o seu progresso para manter suas recompensas. As múltiplas rotas trazem um elemento a mais para esse constante fluxo de escolhas, especialmente com a possibilidade de escolher inimigos mais fortes para encontrar recompensas melhores ou melhorias temporárias que vão facilitar a vida na masmorra.

Os combates parecem ainda mais justos que antes. As animações dos inimigos são bastante claras e detalhadas, então é bem intuitivo prever os seus movimentos para evitar ao máximo dano. Assim, todo dano recebido passa a sensação de ter sido merecido. Uma punição para um erro que estava nas mãos do jogador evitar com um estilo menos arriscado de lutar. Novamente, a decisão de arriscar para aumentar as recompensas sempre se faz presente.
No quesito estética, as masmorras são criativas, mas acabam sendo pouco memoráveis devido a natureza genérica da geração automática. Moonlighter 2 evita clichês rasos de planícies e vulcões, apresentando ideias mais específicas, como uma galeria dimensional comandada por robôs e ruínas mágicas de um casal de bruxas. Essa sensação de cenários cheios de personalidade é só reforçada pelas mecânicas únicas de cada área, com monstros e melhorias próprias. O que deixa de impressionar visualmente é compensado pela jogabilidade.
A parte de vendas também ganha mais profundidade. O sistema é menos confuso e traz preços menos flutuantes, com sinais mais claros de como os tesouros devem ser precificados de forma mais razoável. Ainda assim cabe ao jogador escolher seus preços, o que pode agradar ou não a clientela. Preços mais baixos ganham a vantagem de ativar um sistema de recompensas temporárias, que podem gerar mais dinheiro. E clientes específicos trazem bônus ainda melhores. Com variáveis o suficiente, a constante decisão de como ditar o mercado ganha elementos estratégicos que tornam tudo muito empolgante, mesmo que seja uma parte menor da experiência.

Para fechar com a cereja no bolo, Moonlighter sabe trazer a história certa para o universo que construiu. A sequência constrói consequências palpáveis para a aventura anterior que tornam ainda mais urgente conseguir cumprir as missões desta nova saga. Trazer um colecionador interdimensional como o principal adversário de um mercador imprudente é muito esperto e rende uma narrativa que, apesar de não ser absurdamente profunda, cutuca o suficiente o jogador para que continue interessado em progredir. Não que precise de mais incentivos. A vontade de enriquecer no mundo do jogo já faz isso.
O único ponto negativo é a performance no Nintendo Switch 2. Telas de carregamento demoradas quebram o fluxo quase perfeito da jogabilidade, tirando o jogador da imersão que Moonlighter 2 se esforça tanto em conquistar. No modo portátil, há uma queda perceptível de definição, que só piora
Moonlighter 2: The Endless Vault é um joguinho simples para quem quer passar o tempo se perdendo em uma aventura nada convencional. A aventura surpreende ao transformar algo tão mundano quanto um vendedor em um herói improvável e cativante. O ciclo de conquistar novos tesouros para conseguir vendas ainda melhores é difícil de resistir e fica ainda mais viciante com tantas mecânicas reforçando a eterna dúvida entre risco e recompensa. Um jogo muito competente no que faz que não vai agradar todo mundo, mas viciar quem se arriscar.
Moonlighter 2: The Endless Vault

Veredito
Sofisticado e viciante na medida certa.