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Review: Funko Fusion Deluxe esvazia o charme dos bonequinhos cabeçudos

Funko Fusion

Jogo tem constante crise de identidade em meio a jogabilidade pouco cativante

Difícil acreditar que Funko Fusion Deluxe teve o dedo de veteranos dos icônicos jogos de LEGO. A primeira grande aposta de Funko Pop no mundo dos jogos não poderia ser mais superficial. Com uma seleção um tanto confusa de séries famosas, toda a força do game vem única e exclusivamente do poder da nostalgia dessas marcas. Porém, quando se olha para além do visual adorável, não sobra muito além de uma experiência engessada.

Ficha Técnica

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Título: Funko Fusion Deluxe Edition

Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC

Data de Lançamento: 22 de agosto

Gênero: Plataforma

Desenvolvedora: 1010 Games

Distribuidora: 1010 Games

Descrição: Explore mundos simples de suas franquias favoritas no estilo Funko Pop.

O que achamos de Funko Fusion?

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No quesito gráfico, Funko Fusion faz um trabalho excelente em extrapolar o charme divisivo dos bonecos cabeçudos para todo o universo de suas franquias. Das mais realistas, como Battlestar Galactica, às mais leves, como Scott Pilgrim, todas ganham um charme a mais reimaginadas no estilo de Funko Pop. Há até um esforço extra em trazer detalhes especiais que tornem cada mundo único, como os filtros de animação antiga do mundo de He-Man.

A mesma dedicação à fidelidade de cada franquia pode ser vista também na forma em que as histórias são adaptadas. Fusion tenta recontar as histórias mais emblemáticas de cada saga sem usar falas, apenas com comédia física, como eram os jogos mais antigos de LEGO. Funciona muito bem, na maioria dos casos, mesmo que não chegue perto de ter o mesmo senso de humor apurado de seu rival veterano.

Funciona muito bem para quem tem uma certa nostalgia com aquelas obras clássicas. Entretanto, quem ousa dar uma primeira chance para O Enigma de Outro Mundo, de 1982, ou à terceira temporada de The Umbrella Academy, da Netflix, pela experiência com o jogo pode acabar se frustrando. O roteiro não é muito competente em expressar o mínimo sobre essas sagas. Não há um contexto, por exemplo, para os poderes de teleporte do Número Cinco ou de rumores da Allison. Quem não sabe o motivo, continuará sem saber.

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Fusion peca exatamente ao contar com uma bagagem do público. Não seria um problema em uma coletânea mais específica, só que a seleção de franquias do jogo dificulta que uma pessoa menos fanática conheça muitas das obras escolhidas. O estúdio fechou um acordo com a Universal e decidiu incluir séries e filmes de seu catálogo que não conversam entre si, como o filme de ação Chumbo Grosso e a série de comédia The Office, gerando uma sinergia muito esquisita que gera um conflito de identidade absurdo.

Especialmente quando se leva em consideração a jogabilidade pífia do título. Se a escolha das franquias homenageadas aponta para um interesse no público marmanjo, que curtia os clássicos dos anos 80, as mecânicas hiper simplificadas só funcionam bem com crianças que estão tendo a primeira experiência com os jogos. Os personagens não fazem muito além de andar, socar e atirar. Não há sequer uma complexidade nessas opções em si, em quesito de animações ou variedade. Acaba sendo tão repetitivo quanto parece.

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Os itens exclusivos de cada universo deveriam trazer uma diversidade maior ao jogo, em especial na solução de quebra-cabeças. Só que em sua grande maioria, acabam sendo tão desinteressantes quanto o resto da jogabilidade. O único que salva são os portais de He-Man e os Mestres do Universo, mas até esses não tem um potencial devidamente explorado. A grande exceção são as fases secretas de convidados, que é onde o jogo realmente brilha.

Acessíveis apenas com uma combinação de itens específica, o jogo esconde certas fases únicas de outras franquias, inspiradas em uma cena marcante daquele universo. Em De Volta Para o Futuro, por exemplo, é o momento em que o DeLorean está prestes a ser ativado e precisa de um empurrãozinho. Também tem homenagens ao jogo Mega Man, a animação Invencível e até mesmo ao esquecido desenho do Voltron. E o escopo menor ajuda muito esses níveis a encontrar um foco.

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Por trabalharem em cima de momentos marcantes, essas fases não precisam se preocupar em construir todo um contexto. A cena em questão já carrega toda a força que precisa, o que conserta o problema de roteiro do jogo. E por ser acessível apenas após destravar itens específicos, esses níveis podem desafiar o jogador a combiná-los de formas interessantes, enfim exigindo que os jogadores usem um pouco de seu cérebro. Talvez se a experiência geral fosse por esse caminho, teríamos um jogo muito mais empolgante.

Funko Fusion

Gabriel Mattos

Visual
Roteiro
Jogabilidade

Veredito

Funko Fusion se escora em franquias famosas para tentar conquistar os marmanjos no charme. Porém, depois de fisgar o público, não sabe muito bem o que fazer e entrega uma experiência mais rasa que um pires.

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