Review: Duskfade parece Kingdom Hearts, mas é na verdade uma mistura de Mario Odyssey e Celeste
Título espanhol, Duskfade encanta com uma aventura nostálgica bem feita com pequenas oportunidades perdidas
Duskfade é um jogo deslocado no tempo, da melhor forma possível. Atravessar as suas coloridas fases é como retornar aos games da nossa infância, da época do PlayStation 2, como Spyro. Tempos mais simples em que uma jogabilidade gostosa era o mais importante. Muita coisa evoluiu desde então e Duskfade não fecha os olhos para isso. Seu segredo é abraçar as maravilhas do presente sem esquecer a ingenuidade do passado.
Ficha Técnica

Título: Duskfade
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC
Data de Lançamento: 13 de agosto
Gênero: Plataforma
Desenvolvedora: Weird Beluga
Distribuidora: Fireshine Games
Descrição: Um garoto parte em busca de uma forma de libertar a sua irmã de uma crise temporal.
O que esperar de Duskfade?

Essa filosofia está presente na própria direção de arte. Com inspirações claras em Kingdom Hearts, Duskfade traz um protagonista com jeitão de personagem genérico de anime em um mundo cheio de personalidade. O herói não chama atenção por sua originalidade. Ziriam tem roupas largas e coloridas, como muitos outros antes dele. Isso leva o público a esperar um personagem mais raso, sem profundidade, que sirva apenas de vetor para as aventuras do jogador, o que não poderia estar mais longe da verdade.
A estética é usada como apenas mais uma ferramenta para brincar com as expectativas do jogador e dar uma grande rasteira. Duskfade não se acomoda nos estereótipos do gênero de plataforma e arrisca desenhar uma história honesta, cheia de sentimentos e vulnerabilidade, no estilo de outros sucessos modernos, como Celeste. A alma dessa aventura é o luto e entender como esta é uma jornada complicada para alguém tão jovem, o que se entrelaça bem com a temática temporal da aventura.
Elementos que remetem ao tempo estão espalhados por todos os cantos. A arma do herói é o ponteiro de um relógio. Sua companheira é um pássaro cuco de um relógio. E todo o mal que assola o mundo nasce de uma fenda no espaço-tempo. As habilidades conquistadas ao longo da aventura tentam embarcar nessa onda, mas destoam ao trazer uma relação apenas superficial e estética. Enquanto a história e a construção do mundo abraçam essa coesão temática, as mecânicas deixam um pouco a desejar.

Nada de voltar no tempo ou coisas do gênero. As habilidades conquistadas apostam mais em incorporar clássicos movimentos esperados do gênero de plataforma, como ganchos e planadores. Decepcionam a princípio por não surpreender em momento algum, mas são implementados de uma forma tão eficiente que essa sensação logo passa. Como dito no início, a prioridade é garantir uma jogabilidade gostosa, mesmo que a unidade temática precise ser sacrificada.
E o resultado é fantástico. Navegar pelas fases de Duskfade é extremamente intuitivo e satisfatório, conforme se progride na história e novas opções de travessia são liberadas. É natural combinar saltos com esquivas aéreas e um respiro extra do planador para alcançar lugares difíceis. Funciona de uma forma tão orgânica quanto os melhores títulos da Nintendo, como o próprio Super Mario Odyssey. Ao mesmo tempo, as seções de plataforma permanecem desafiadoras ao longo de todo o jogo. Mesmo com a adição de novas técnicas, os obstáculos ainda exigem bons reflexos e um certo planejamento. As novidades só tornam a travessia mais expressiva e divertida.
Ajuda que os mundos a serem explorados são repletos de detalhes interessantes e atividades que estimulam o jogador a percorrer cada canto do cenário. As temáticas, novamente, seguem clichês do gênero de plataforma, como florestas, áreas de fogo e desertos. Mas a execução é feita de uma forma tão original que não parece algo batido e sim familiar. Todos os ambientes ganham um contexto extra graças ao contexto temporal fantástico. A fase de água, por exemplo, acontece em uma biblioteca inundada. O deserto? É o caminho para um templo mágico. A fase nos céus? É um pós-vida fantástico. Tudo encaixa muito bem com a história e nada parece fora do tom, só fortalecendo os temas propostos.

Os chefes também seguem essa linha, com uma integração bem inteligente com o enredo. Eles fornecem um contexto fantástico para entender o crescimento do protagonista como pessoa, o seu processo de luto e até mesmo como isso afeta outros personagens-chaves. Tudo isso em meio a duelos empolgantes que desafiam o jogador a combinar as técnicas aprendidas em sessões absurdas de plataforma. Tem seus altos e baixos, mas deixam uma ótima impressão.
O lado de combate, em si, não traz nada muito especial. É de longe uma das partes menos inspiradas de todo o jogo, com uma variedade limitada de golpes e inimigos únicos. As batalhas comuns, espalhadas ao longo do jogo, são um tanto repetitivas e tentam disfarçar esse ponto fraco sobrecarregando o jogador com inimigos. Até certo ponto funciona, mas ainda fica uma sensação esquisita de algo genérico em um jogo tão cheio de personalidade.
O mais legal do combate é ver as animações do protagonista fortemente inspiradas em Kingdom Hearts. Duskfade não esconde suas influências. Na verdade as carrega com orgulho, aprendendo o que pode com os clássicos que vieram antes e fazendo de sua própria maneira, como uma grande homenagem. Isso também pode ser visto na forma dos colecionáveis, muito interessantes e que lembram grandes colectathons, como Banjo-Kazooie, só que com a parcimônia de jogos mais recentes, como Yoshi’s Wolly World.

A performance no Nintendo Switch 2 é outro ponto a ser elogiado. Com efeitos de iluminação e folhagem muito competentes, não parecia em momento algum que esta versão do jogo não fazia juz ao melhor que a experiência tinha a oferecer. Especialmente graças à performance consistente, com um framerate estável tanto na televisão, quanto no modo portátil.
Salvo algumas poucas partes que não funcionam, como toda a dinâmica de grid inspirada nas fases das minas de Donkey Kong Country, Duskfade é uma experiência essencial para os fãs de jogos que colocam a diversão em primeiro lugar. É um banquete para os jogadores das antigas e uma ótima introdução aos mais novos a era de ouro dos videogames.
Duskfade

Veredito
Um jogo perfeito para os fãs dos clássicos de plataforma do PlayStation 2, que traz muita personalidade própria, apesar de umas oportunidades perdidas de ser ainda melhor.
