Review | Assassin’s Creed IV: Black Flag Resynced atualiza o melhor game da franquia com uma naturalidade invejável
Apesar de um grande tropeço, Black Flag Resynced impressiona com sua nova versão de um clássico
Mesmo depois de jogar toda a franquia, Black Flag segue sendo o meu Assassin’s Creed predileto. Ao menos da era clássica. Afinal, combina o ápice da jogabilidade furtiva com uma chance de ouro de explorar a vastidão do Caribe como um pirata. É o título que mais se distancia da fórmula original sem quebrá-la. Exatamente por ter se saído tão bem, era o último da franquia que gostaria de ver refeito. Ainda assim, cá estamos. Assassin’s Creed IV Black Flag Resynced está entre nós, mais bonito que nunca e tão bom quanto sempre foi.
Ficha Técnica

Título: Assassin’s Creed IV: Black Flag Resynced
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
Data de Lançamento: 8 de julho de 2026
Gênero: Aventura, Furtividade, Mundo Aberto
Desenvolvedora: Ubisoft
Distribuidora: Ubisoft
Descrição: Um remake da quarta aventura de Assassin’s Creed, em que controlamos um pirata resistindo à marinha britânica.
O que esperar de Black Flag Resynced?

Não é bem mérito da nova versão ser um jogo incrível. O original já conseguiu esse feito com louvor. Muito graças à escolha inteligente do período histórico que serve de playground para toda a aventura: a Era de Ouro da Pirataria.
Além de enriquecer muito o roteiro, com uma visão da era das Grandes Navegações, do cruel processo de escravização e da brutal colonização da América Latina, esse recorte traz de brinde um mundo estonteante para se explorar: as ilhas do Caribe e o seu oceano. Navegar pelas águas das Antilhas é uma experiência absurda.
Talvez o maior legado do jogo tenha sido a navegação marítima, que tem um peso inconfundível. Controlar o navio traz um esforço quase físico e uma série de limitações que torna a experiência desafiadora na medida certa, de uma forma que o jogador realmente se sente como um capitão pirata. Tanto que eu gastei mais tempo do que gostaria de admitir dos meus dias com o jogo melhorando o Gralha, o navio do protagonista Edward Kenway.
Espalhar o caos pelos mares é viciante. Quando eu via, estava ativamente participando das mais diversas atividades do jogo, como mergulho e contratos navais, para juntar recursos para encarar inimigos navais cada vez maiores. Ver embarcações muito maiores que as suas afundarem é satisfatório demais, ainda mais depois de vencer embates mesmo estando em desvantagem graças às habilidades dos Oficiais.
Novos personagens e um novo combate

Eles são uma das adições de Black Flag Resynced e entram para a sua tripulação após uma série de missões inéditas. O roteiro das campanhas é um tanto interessante, cheio de traições e reviravoltas, mas as atividades propostas em si não fogem do feijão e arroz de navegar até um lugar, afundar navios e assassinar militares. Vale a pena pela recompensa, que são estes oficiais que adicionam habilidades especiais ao seu navio.
Lembra um pouco os Sábios de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Com eles ao seu lado, destruir fragatas espanholas e britânicas nunca perde a graça. Ainda mais com as novas técnicas e canhões adicionados nesta versão, que trazem ainda mais opções de como afundar navios. Não revoluciona a experiência, claro. Só torna algo que já era incrível ainda melhor.
Depois de queimar os navios e fortes espalhados pelo oceano é a hora de invadir e duelar contra os oficiais da marinha. Espada contra espada.

O combate, no original, era bem limitado, inspirado por Batman: Arkhan City, um grande sucesso na época. Mais de uma década depois, o sistema foi completamente retrabalhado para refletir tendências da atualidade. Isto é, uma luta focada em parry e esquiva.
Talvez a diferença mais presente na experiência seja essa. As batalhas não parecem mais aquele apertar infinito de botões que garantiam a vitória. O novo sistema mantém a cadência de esperar uma brecha do adversário para contra-atacar, mas de uma forma mais intencional, inspirada em tendências popularizadas pela franquia Dark Souls.
O interessante é que os desenvolvedores conseguiram injetar a essência de Assassin’s Creed no coração desse combate, já que quebrar a guarda do oponente permite executar um assassinato automático. É muito natural e parece o jeito que os Assassinos deveriam estar lutando desde sempre.
Como são os gráficos do Black Flag Resynced?

As mecânicas não foram o único aspecto atualizado, claro. A melhoria mais óbvia está no visual.
Em Black Flag Resynced, os cenários tropicais e paradisíacos de Havana e Kingston estão ainda mais estonteantes graças às capacidades avançadas da nova geração. Os gráficos foram refeitos do zero no mesmo motor de Shadows, o que significa que lançam mão do que há de mais moderno na renderização para criar um mundo mais crível.
As poças d’água refletem com perfeição de um espelho, graças ao ray-tracing. Os pântanos de Charles-Towne se tornam ainda mais sufocantes com uma névoa mais realista. E a folhagem presente em todas as ilhas está muito mais robusta, o que vende a fantasia de estar realmente se esgueirando no meio de uma selva tropical.

O Caribe de Black Flag Resynced parece um mundo vivo. De todos os games clássicos da saga, talvez este realmente seja o que mais se beneficiaria dos avanços tecnológicos por seu foco em paisagens orgânicas. As matas já impressionavam na obra original, mas dessa vez parecem que existem de verdade. Até as cidades, com suas arquiteturas coloniais, estão impressionantes, em especial graças às melhorias na iluminação. Contudo, a mesma iluminação que brilha nas cidades não reage tão bem aos próprios personagens.
Por algum motivo, os personagens estão menos caprichados do que esperava. Especialmente considerando que o motor gráfico é o mesmo de Shadows. Eles existem em um limbo esquisito. São definitivamente melhores que as versões de 2013, mas não parecem estar no mesmo nível que qualquer jogo feito nativamente na nova geração. A impressão é que houve uma tentativa de reaproveitar os modelos antigos com mais detalhes, o que deixa uma aparência meio de boneco. Não de pessoa.
Dependendo da iluminação da cena, podem parecer bem expressivos ou simplesmente esquisito. A chuva também não ajuda, ao dar um ar plástico e artificial aos personagens. Até mesmo comparado aos trailers promocionais, a versão final parece ter encolhido em detalhes. Um defeito esquisito, considerando como o resto da experiência parece tão bem feita.

Veredito
No fim, Assassin’s Creed IV: Black Flag Resynced é um soco de nostalgia. As mudanças são sutis e certeiras o suficiente para parecerem naturais. Como se sempre estivessem ali. Ajudam a trazer mais substância para um jogo que já era fantástico. Navegar pelos mares do Caribe consegue ser ainda mais relaxante e viciante. Quem conseguir relevar os visuais esquisitos dos personagens terá a experiência definitiva de Assassin’s Creed em mãos.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Veredito
Para quem tem saudade ou nunca jogou, Black Flag Resynced é uma ótima forma de jogar o melhor que Assassin’s Creed tem a oferecer.
