Review: Resident Evil Requiem é a união de tudo o que a franquia já representou em seus 30 anos

resident evil requiem capa
resident evil requiem capa

Resident Evil Requiem consegue reunir os aspectos do horror e da ação desenfreada em um único jogo

Se tem uma franquia que reflete bem o estado de sua empresa é Resident Evil. Seja no auge da Capcom nos anos 90, onde a trilogia original moldou o gênero de Survival Horror, ou então nos momentos ruins, durante a geração do PlayStation 3 e Xbox 360, onde nem o estúdio nem a franquia conseguiu muito bem se encontrar, gerando um quase esquecimento de ambas.

Nos últimos 10 anos a Capcom conseguiu se levantar novamente com inúmeros sucessos de crítica e venda e Resident Evil seguiu junto, se dividindo em duas vertentes. Uma abrangendo o 7 e Village, trazendo mais o lado do horror e a sobrevivência, enquanto os remakes, mesmo ainda contendo muito do terror, trazendo a ação exagerada como um pilar.

Com a diferença entre esses dois lados parecia improvável algo que reunisse ambos em um único jogo. Resident Evil Requiem, o nono jogo da série principal busca fazer isso e acerta em cheio ao trazer uma dupla de protagonistas ótima e uma espécie de conclusão de certos arcos que permeiam a série desde sua estreia.

Ficha Técnica

resident evil requiem cover

Título: Resident Evil Requiem

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series S/X, PC e Switch 2

Desenvolvedora: Capcom

Descrição: Uma nova experiência aterrorizante trazendo uma nova protagonista e o retorno de Leon

O passado e o futuro se encontram

Grace e Leon compartilham o protagonismo e os desafios de Requiem
Grace e Leon compartilham o protagonismo e os desafios de Requiem

A primeira protagonista de Requiem é Grace, uma agente do FBI que é enviada para uma investigação sobre mortes estranhas de sobreviventes do incidente de Racoon City. Na sua investigação ela acaba precisando retornar ao local onde sua mãe, uma sobrevivente da cidade, foi morta 8 anos atrás.

O retorno ao local não só trouxe à tona memórias ruins, mas também ataques zumbis e o encontro com o vilão Gideon, que acredita que Grace é a chave para um vírus ainda mais poderoso. Do outro lado Leon está sofrendo de uma doença misteriosa que matou os sobreviventes de Racoon City e na sua busca por respostas seu caminho se cruza com Grace e ambos precisam fugir dos horrores arquitetados por Gideon.

A estrutura da narrativa remete muito com a do Resident Evil 2 Remake, onde a dupla de protagonista se encontram de tempos em tempos, passam pelos mesmo locais com certa frequência, mas cada um vive sua própria jornada. A diferença do Remake é que em Requiem as duas campanhas acontecem juntas, onde a narrativa escolhe quando teremos uma troca de personagem.

Grace absorve a parte mais horror de Resident Evil, onde a garota, por não ter lidado anteriormente com zumbis não tem muitas ferramentas além de se esconder e fugir. A personagem tem armas, mas com a quantidade de dano que elas causam na maior parte do tempo, o confronto não parece uma opção válida.

Resident Evil Requiem permite que os jogadores escolham entre primeira e terceira pessoa, mas recomenda uma específica para cada personagem. No caso de Grace é a primeira pessoa, já que ela consegue evidenciar os elementos de terror, em especial nos momentos onde estamos sendo caçados por certos inimigos.

Assim como a Lady Dimitrescu em Village, em certos momentos inimigos mais poderosos estarão espreitando o cenário. Jogando em primeira pessoa os momentos onde a criatura acaba surgindo bem na sua cara e nos sentimos encurralados são inúmeras e acaba remetendo mais a momentos de Resident Evil 7 ou o remake do 2, que buscam um pouco mais de terror.

O lado negativo é que pode ser um pouco estressante e cansativo e por isso a campanha dos dois personagens acontecerem juntas é um ponto positivo, já que sempre que os pedaços de Grace começam a se tornar desesperadores demais, temos a troca para Leon que oferece algo completamente diferente.

Horror e ação na medida certa

Requiem é a mistura perfeita de Resident Evil e o remake do
Requiem é a mistura perfeita de Resident Evil e o remake do

Enquanto Grace incorpora o início e a nova leva de Resident Evil, Leon vai com tudo na ação. No remake do 4, o personagem já era uma máquina, ágil, mortal e sendo capaz de até mesmo aparar os golpes de seus inimigos. Mesmo infectado, nosso herói é capaz de passar como um trem pelos zumbis, utilizando suas armas ou então objetos das criaturas, entre eles uma serra elétrica.

Mesmo com o tom sério e a urgência que a narrativa constrói, em especial durante os momentos de Leon, todo o lado cômico e absurdo de Resident Evil se manifesta de sua melhor forma. Frases de efeito, os comentários de tiozão de Leon e os mais completos absurdos na ação estão presentes para aliviar o estresse dos momentos amedrontadores de Grace.

A estrutura de Requiem é o que já se é esperado da franquia. Ao todo temos 3 áreas principais diferentes onde precisamos explorar, resolver quebra-cabeças e encontrar chaves para progredir mais ainda e eventualmente conseguir chegar na próxima. 

Quem já conhece a franquia pode ter uma ideia do que são cada uma das áreas e também que o bloco final será o mais fraco da obra. O que pode soar como uma surpresa é o fato de que o final acaba sendo tão bom como o começo, em especial pelo ritmo da alteração dos dois personagens.

Mas para a surpresa de muitos, acabamos tendo uma decepção que acaba sendo o fato de que o ponto mais baixo de Requiem é o retorno de Racoon City, talvez um dos maiores chamarizes durante a divulgação do jogo.

Racoon City manda lembranças

O retorno a delegacia foi um dos destaques da divulgação do jogo
O retorno a delegacia foi um dos destaques da divulgação do jogo

Depois dos mísseis atingirem Racoon City no final de Resident 2 e 3, nunca mais retornamos à cidade já que se é esperado que tudo virou ruína. Apesar da destruição massiva do local, existe muito a se explorar ao voltar até lá, principalmente pelo fato de que a cidade acaba sendo bem maior do que era esperado.

Temos toda uma parte do jogo sobre explorar os locais fora do centro de Racoon City que poderia ter sido facilmente qualquer outra cidade grande dos Estados Unidos. Fica meio difícil não achar tudo repetitivo e até mesmo genérico explorar essas ruínas, subir prédios destruídos e ver esses locais que não passamos nem perto na trilogia original, ou até mesmo em outros jogos que exploram Racoon City. 

O destaque fica pelo retorno a delegacia, onde dessa vez temos uma explosão de nostalgia com Leon retornando ao local que moldou tudo que ele é. Nesse momento Requiem soa como uma sequência direta de Resident Evil 2, e muito do que o herói representa desse ponto para frente reforça ainda mais isso.

O jogo faz um bom trabalho em fazer tudo se sentir nostálgico, mas ao mesmo tempo algo novo para ser explorado, sem parecer que era só uma forma de apelar ao passado. Mesmo assim, em termos da construção de níveis, ele acaba sendo ofuscado no que vem antes e no que vem depois.

No fim, todo o pedaço de Racoon City soa como uma oportunidade perdida de trazer outros locais. Mesmo que eles não ressoem diretamente com Leon, ver partes da cidade que exploramos anteriormente com outros personagens teria sido mais atrativo do que locais que nunca tínhamos visto antes da explosão.

Mesmo com os lados mais fracos, a união de todas as partes torna Resident Evil Requiem num jogo excelente e que consegue tocar em tudo que a franquia sempre quis fazer de melhor. Uma atmosfera amedrontadora, a mistura do terror com uma ação exagerada e caras já conhecidas fazendo aparições surpresa.

Resident Evil Requiem

Ygor Ferreira

Resident Evil Requiem nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Resident Evil Requiem é talvez a melhor obra que poderíamos ter para comemorar os 30 anos da franquia, entregando nostalgia, personagens envolventes e ainda mais sobre os acontecimentos de Racoon City que moldaram os personagens de Resident Evil, mas também seus jogadores.

5
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