Levantamento feito pelo CIEDS em parceria com a L’Oreal aponta forte liderança feminina na área
Desde as Olimpíadas, o Rio de Janeiro está com um projeto de fortalecer a região da Pequena África como uma nova rota do turismo negro. Além de uma grande ligação com a história do início da comunidade negra no Brasil, a área também floresce com negócios de pessoas pretas, como indica o levantamento inédito do Grupo L’Oreal em parceria com o CIEDS.
O que encontrar na Pequena África?

De acordo com o estudo, a região é dominada por pequenos empreendimentos gastronômicos, o que reforça seu status como expoente cultural. Cerca de 69% de todos os negócios locais são fundados por pessoas pretas, enquanto 70% é comandado por mulheres.
O público-alvo identificado também reforça esse comprometimento da Pequena África com a comunidade negra. O levantamento aponta que 70% dos empreendimentos têm produtos ou serviços voltados para a população negra ou para equidade racial.
Entre as atividades que podem ser encontradas na Pequena África, estão aulas de gafieira, de graffiti e break, lojas de artigos para capoeira, religiões de matriz africana e artesanato, além de bistrôs, cafés e bares. O catálogo completo pode ser baixado pelo site do CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável).
O que é a Pequena África?

A Pequena África é o lar histórico da comunidade afro-brasileira na Região Portuária do Rio de Janeiro. O termo foi popularizado pelo sambista Heitor dos Prazeres para descrever a área que engloba os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo.
Além de concentrar a população negra do Rio Colonial, tanto de pessoas livres quanto escravizadas, a região abriga importantes lugares históricos, como o Cais do Valongo, onde chegavam os africanos sequestrados pelos portugueses. Por isso, a Pequena África tem uma relevância histórica e cultural inestimável, mas foi esquecida por muito tempo.
Desde as promessas de reurbanização e desenvolvimento feitas na época dos grandes eventos esportivos no Rio de Janeiro, houve uma redescoberta do potencial do território, o que também traz o risco de gentrificação e apagamento cultural.
Iniciativas como o levantamento da L’Oreal e do CIEDS visam frear esse processo de expulsão das pessoas pretas de sua própria história, documentando e mostrando que a Pequena África é feita de pretos para pretos.