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Review: Nioh 3 é o que acontece quando o estúdio tem tempo de aprimorar suas ideias

Nioh capa

Nioh 3 aprende com os erros de seus antecessores para criar uma experiência bem única

Antes do lançamento de Sekiro: Shadows Die Twice, muitos sonhavam em um soulslike que trouxesse samurais ao invés dos guerreiros medievais apresentados em Dark Souls. Com essa ideia em mente, o primeiro Nioh foi criado em 2017 e chamou a atenção por seu combate frenético. Contudo, sua estrutura repetitiva e a forma que as recompensas eram mal distribuídas o impediram de atingir seu potencial total: erro que não se repete em Nioh 3.

Ao longo dos anos, a franquia aprendeu com as críticas. Cada novo lançamento afiava mais a jogabilidade como uma espada samurai. Em 2020 surgiu a primeira sequência, que ainda recebeu algumas reclamações por não superar outros rivais do gênero. Porém, em 2026, finalmente temos a evolução da franquia. Nioh 3 pega o que deu certo e o que deu errado nos últimos projetos da Team Ninja para criar um jogo dinâmico, recompensador e com o potencial de ser lembrado o ano inteiro.

Ficha Técnica

nioh cover

Título: Nioh 3

Plataformas: PlayStation 5 e PC

Desenvolvedores: Team Ninja

Distribuidora: Koei Tecmo

Descrição: No terceiro jogo da série sombria de RPG de ação com samurais Nioh, você precisará usar os estilos de combate Samurai e Ninja para enfrentar yokais formidáveis conforme explora um campo aberto arrepiante.

Uma viagem pela história do Japão

Encontre lendas da história do Japão em Nioh 3
Encontre lendas da história do Japão

Nioh sempre trouxe uma mistura da história do Japão com mitos e lendas, com destaque para uma ótima construção de mundo. Com o progresso da franquia, a parte fantasiosa foi se tornando ainda mais presente, algo que já é possível notar na premissa do terceiro jogo.

Dessa vez, nosso protagonista, Tokugawa Takechiyo, estava prestes a se tornar Xogum, quando seu castelo é invadido por youkais, espíritos malignos do folclore japonês. Logo depois, ele descobre que o plano foi arquitetado pelo seu irmão.

Quando o protagonista está prestes a tomar o golpe final, ele é mandado para o passado, que também estava sofrendo ataques das criaturas nefastas. Takechiyo então deve encontrar figuras históricas enquanto busca entender o que está causando o ataque de youkais e como ele irá retornar para o seu tempo para confrontar seu irmão.

Nioh 3 é dividido em uma espécie de capítulos. Em cada um, somos levados a uma época diferente, para enfrentar ou se aliar com lendas como Ieyasu, Takeda Shingen ou algumas outras surpresas pelo caminho.

Mesmo a narrativa não sendo nada tão bem construída como os jogos da From Software, a jornada de Takechiyo é envolvente. Muito graça aos personagens em torno do protagonista, que são divertidos o bastante para manter o jogador empolgado com os próximos acontecimentos.

Mas o que faz Nioh 3 se destacar tanto em relação às duas outras produções é sua progressão e level design, que passou por mudanças drásticas.

Exploração é a palavra chave

A exploração é uma das principais novidades do jogo
A exploração é uma das principais novidades do jogo

Finalmente Nioh abandonou a sua estrutura de missões e agora apresenta regiões diferentes para serem exploradas. O jogo é dividido em alguns capítulos, representados pela época que nosso protagonista é enviado, cada uma dessas tem um mapa diferente com uma quantidade bem grande de atividades diferentes.

A exploração de Nioh 3 lembra mais algo como Assassin ‘s Creed, onde as atividades concluídas vão dando alguma recompensa momentânea. O tamanho bem menor do mapa, em relação a produção da Ubisoft, faz com que essa estrutura datada funcione muito bem aqui. E mesmo que o mundo não seja construído como Elden Ring, em que os pontos de interesse estão misturados de forma orgânica a paisagem, Nioh 3 consegue ser muito recompensador.

Cada virada de esquina pode ter um inimigo novo, uma missão ou só uma base para ser tomada. Em especial o primeiro e o último mapa são extremamente bem construídos e fazem um ótimo trabalho em quebrar o ritmo frenético dos combates com suas caminhadas.

As missões ainda estão presentes em duas formas diferentes. A primeira é pelos conteúdos secundários, que recompensam o jogador com mais armas e armaduras, e nas entradas no Umbralma, as zonas onde a corrupção dos Yokai estão em abundância.

Esses locais funcionam um pouco como o fim do capítulo e acabam sendo um dos pontos mais fracos de Nioh 3. Ele volta a se tornar linear demais e, visualmente, todos parecem similares o bastante para causar a sensação que já se passou por essa fase antes.

Como são as lutas de Nioh 3?

Se por um lado a exploração consegue trazer um ritmo mais lento, o combate mantém todo o frenesi que é presente desde o primeiro Nioh.

Muito do que deixou a marca do jogo continua presente: as diferentes posturas que permitem realizar golpes mais fortes e lentos ou fracos e rápidos, as áreas criadas por Yokai que impede a recuperação de Ki e a forma de purificar esses locais. A grande novidade é que agora o jogador tem dois modos diferentes para o seu personagem: Samurai ou Ninja.

Samurai é o que já se espera de Nioh, enquanto o Ninja tem um foco maior em agilidade, utilizar ninjutsu e enganar seus adversários. As armas e armaduras de ambos são diferentes, o que permite um estilo de jogo único para cada uma delas.

 O grande trunfo das batalhas é que é possível alternar entre os dois a qualquer momento e, caso faça isso enquanto o inimigo utiliza um golpe devastador, ele funciona como um aparada, dando alguns segundos de vantagem. Essa habilidade obriga o jogador a estar sempre alternando entre os dois estilos, deixando o combate de Nioh ainda mais intenso do que nunca.

Seguindo a linha de seus antecessores, o balanceamento dos inimigos, em especial de chefes, tem seus problemas.

Existe um grupo pequeno de chefes que dão um salto drástico de dificuldade, seja pela quantidade de dano que eles causam ou mesmo na forma que eles funcionam, sendo até mesmo um pouco contra intuitivo a forma de se lidar com eles. Mesmo causando seus momentos de frustração, a união de suas partes ainda é extremamente divertida, não só dando ainda mais identidade para a franquia, mas colocando ela lado a lado a outras obras de destaque nos soulslike.

Nioh 3

Ygor Ferreira

Nioh nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Nioh 3 consegue refinar bem suas ideias originais enquanto traz novidades bem vindas, apostando no seu ritmo acelerado e na ideia de lutar ao lado de lendas icônicas do Japão.

4
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