Review — Metal Gear Solid Delta comete um crime clássico entre apaixonados: ser fiel demais

O inicio de tudo

Metal Gear Solid Delta faz de tudo para ser uma recriação exata do jogo original

Remakes se tornaram uma constante na indústria de jogos. A oportunidade perfeita de resgatar grandes obras-primas esquecidas do passado, como a franquia de ouro de Hideo Kojima, Metal Gear Solid. Depois muito titubear, a Konami decidiu apostar suas fichas no lançamento de Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, um remake do terceiro jogo da franquia e o primeiro de sua linha do tempo. O resultado final divide opiniões. Diferente dos melhores remakes recentes, como Resident Evil 4 e Silent Hill 2, a nova produção não busca reimaginar a obra original e chafurda na mesma experiência datada do PlayStation 2.

Ficha Técnica

metal gear solid delta cover

Título: Metal Gear Solid Delta Snake Eater

Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC

Data de lançamento: 28 de agosto de 2025

Desenvolvedora: Konami

Descrição: Um remake do jogo Metal Gear Solid 3: Snake Eater, com mesma história envolvente e o mesmo mundo cativante, agora com gráficos novíssimos

As origens de Big Boss

metal gear solid delta capa
O início de tudo

Metal Gear Solid Delta se passa durante a Guerra Fria, época em que os nervos entre Estados Unidos e a União Soviética estavam aflorando com a corrida nuclear a todo vapor. Nesse contexto temos Snake, um espião da CIA enviado ao território inimigo para resgatar um cientista de armas que deseja desertar da URSS.

As coisas não acontecem da forma como deveriam e Snake se depara com a traição de sua mentora, chamada de The Boss. Agora sua missão tem mais objetivos e caso ele falhe a possibilidade de uma guerra nuclear é gigantesca.

A história de Delta não altera nenhum detalhe de Metal Gear Solid Delta, ao ponto de usar as mesmas gravações de dublagem do original. No fim, atualizar o texto não era bem necessário, já que ele continua excepcional e muito atual.

Todo o contexto anti armamentista, as conversas sobre patriotismo e os temores de um mundo em uma acentuada instabilidade política a nível global se traduzem muito bem para o clima atual de uma forma até meio trágica. E todas as discussões são muito bem amarradas com Snake no centro de tudo. Em especial, o final segue como um dos mais marcantes não só da franquia, mas de toda a indústria mainstream.

Mas não é só na seriedade que o jogo se destaca. Mesmo com os temas sérios, Snake Eater tem seus momentos bem humorados que foram mantidos em Delta. O que mais se destaca são as conversas por rádio com a Para Medic que sempre menciona algum filme e acaba se tornando uma longa discussão com Snake, que não é muito fã de cinema.

O rádio e outras interfaces passaram por leves melhorias de qualidades de vida. Agora existe um pequeno menu rápido para chamar personagens importantes e também trocar suas camuflagens sem precisar pausar a ação para acessar o outra janela. Apesar de ter que passar por um breve carregamento, é mais rápido e deixa as coisas um pouco mais fluídas do que a versão original.

Enquanto os aspectos narrativos parecem ter envelhecido como um bom vinho, as mecânicas envelheceram como leite. Em pouco tempo no comando de Snake, Delta deixa claro que precisava de um pouco mais de mudanças para que tivesse o mesmo impacto que a versão original.

O crime foi ser fiel demais

Os cenarios se tornaram mais bonitos, mas os controles poderiam ter sido melhores
Os cenarios se tornaram mais bonitos, mas os controles poderiam ter sido melhores

Metal Gear Delta traz poucas mudanças de gameplay, mas apresenta duas configurações de controles. A original, com a clássica câmera vista por cima e um esquema arcaico de comandos, e uma nova, que altera o ponto de vista e os controles para os padrões mais atuais do gênero de ação. Com isso, o jogo facilita ações que sempre deveriam ter sido simples, como agachar, mirar e andar lentamente.

O problema é que, ainda assim, controlar Snake não é uma experiência fluída e acaba sendo um aprendizado próprio até ter um domínio do personagem. O que atrapalha ainda mais é o design antiquado de todo o cenário. Se por um lado seus ambientes são muito simples para os padrões modernos, tornando a experiência meio monótona, eles ainda são dividido por telas de carregamento, mesmo nos consoles mais avançados. Uma incongruência que não faz sentido.

Mas um dos principais aspectos que necessitavam de uma alteração para atrair os olhos do público contemporâneo são as batalhas de chefes.

Em termos de mecânicas, os chefes foram um dos maiores destaques de Metal Gear Solid 3 em seu lançamento, por utilizar muito bem a mídia videogame. Todos ofereciam uma experiência única, desde uma batalha entre atiradores de elite à navegação por um rio infestado com suas vítimas. Cada membro da unidade Cobra reflete seus conflitos e especialidades nas mecânicas, deixando cada encontro extremamente marcante.

Entretanto, 20 anos depois do lançamento de Snake Eater muitos desses momentos originais e inéditos para os padrões da época foram repetidos à exaustão pela indústria, até o ponto de saturação. Revisitar esses momentos da exata mesma forma em um remake tanto tempo depois acaba não tendo nem uma fração do impacto que sua versão original apresentava. Novas lutas completamente originais, com o mesmo ineditismo, fizeram falta para alcançar a mesma sensação de surpresa e vanguarda que Snake Eater.

Esse é o principal defeito de Metal Gear Solid Delta. Ele é tão fiel ao seu original que parece um jogo parado no tempo. É interessante revisitar a jornada de Snake com gráficos atualizados, mas para ter o destaque devido a obra precisava de um pouco mais do que só reproduzir fielmente seus eventos.

Metal Gear Solid Delta

Ygor Ferreira

metal gear solid delta nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Metal Gear Solid Delta é um bom jogo, seu material base continua sendo ótimo e ver esses momentos com gráficos atualizados era algo pedido por muitos fãs. Apesar disso, ele não consegue muito bem reproduzir o impacto da versão original de Snake Eater por não querer correr riscos.

3.5