Literatura infanto-juvenil negra é destaque em Bienal do Livro do Rio 2025

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Escritores negros marcaram evento

Diversidade pintou as ruas da Bienal do Livro do Rio 2025

Pallas. Mostarda Editora. Malê. Companhia das Letrinhas. Grupo Autêntica. A lista de editoras presentes na Bienal do Livro do Rio 2025 é extensa e diversa, mas algumas delas possuem algo em comum: literatura infanto-juvenil negra.

Entre literatura YA, romances sáficos e autores nacionais, um dos destaques da edição de 2025 da Bienal do Rio foram os livros infantis com foco na população negra. E o motivo para isso não é aleatório, como explica a ilustradora do livro O que você pensa quando falo África?, Letícia Moreno.

Há poucos anos atrás, o acesso de pessoas negras ao mercado editorial era escasso, porém, aos poucos, a narrativa tem sido outra. Seja para os personagens dos livros ou para quem os escreve.

“Não tínhamos acessos a coisas assim por que pessoas como nós não estavam produzindo. Não estavam escrevendo ou ilustrando livros para gente. Quando essas histórias chegavam, elas eram contaminadas pelo preconceito das próprias pessoas que a criavam”, aponta Letícia Moreno.

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Livros da Editora Mostarda focam na representatividade negra

Essa necessidade de contar suas próprias histórias vai para além de apenas documentar a dor da população negra, como destacou Maria Lúcia Nogueira, autora de Mamãe Caminha, mas também tem o objetivo de positivar a ancestralidade negra.

“Estamos muito acostumados a falar de raça a partir de uma perspectiva de dor. Não é que não exista. Existe muita dor, mas se ficarmos apenas nessa linha, ser negro se torna apenas a parte ruim. E aqui, a ideia é positivar a nossa ancestralidade”, explica Lavínia Rocha, autora de O que você pensa quando falo África?

E a ideia por trás de seu novo livro nasce desse mesmo lugar que tem inspirado diversos outros autores e produtores de conteúdo negro.

Em 2022, a professora Lavínia decidiu lançar uma questão para sua turma: “O que você pensa quando falo África?” Entre preconceito e estereótipo, os alunos iniciaram uma jornada de seis semanas que os levaram a entender o povo africano sob um novo olhar.

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Ilustração de O que você pensa quando eu falo África?

“Nesse livro, temos diferentes histórias para que as crianças possam entender a negritude como algo bom.” complementa Lavínia Rocha.

E o impacto dessas histórias é perceptível tanto nas ruas da Bienal quanto na vida de crianças negras. Com uma comunidade afro descendente que ultrapassa 50% da população brasileira, mas uma representação destoante na televisão, é a partir dessas produções que crianças e adolescentes são capazes de construir uma autoestima e saúde mental saudáveis. Uma que destaca as infinitas possibilidades do que é ser negro.

“Isso vai criar uma nova geração de pessoas com a autoestima lá em cima. Explorando o mundo sem precisar ficar preocupado com o que outras pessoas falavam sobre o que é ser negro”, destaca a ilustradora Moreno.

A Bienal do Livro acontece entre os dias 13 de junho e 22 de junho no RioCentro. Ingressos podem ser adquiridos no site oficial ou na bilheteria do evento.

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