Iniciativa promove o resgate da autoestima de parcela mais oprimida da população brasileira
Celebrando a identidade e a luta das mulheres negras, o Julho das Pretas se consolida como um movimento nacional de visibilidade, empoderamento e reparação. Criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, a iniciativa ganha força a cada ano, reforçando pautas como autoestima, representatividade e combate ao racismo estrutural.
Em 2025, a 13ª edição do movimento tem como tema “Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver”, destacando a importância da valorização estética e política da mulher negra no Brasil. Segundo o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), elas representam 28% da população nacional – mais de 60 milhões de pessoas.
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A beleza negra como resistência política

Historicamente invisibilizadas ou reduzidas a estereótipos eurocêntricos, as mulheres negras enfrentam desafios constantes na construção da autoimagem. A biomédica Jéssica Magalhães, especialista em pele negra com mais de 10 anos de experiência, explica:
“Reconhecer-se como mulher preta é um ato político. Cuidar da nossa estética é romper com séculos de apagamento.”
Um estudo publicado em fevereiro de 2025 na National Library of Medicine (NLM), intitulado “Racialized body dissatisfaction in Black women”, revela que a padronização da beleza branca levou à estigmatização de traços negros. Muitas mulheres, segundo a pesquisa, adotam comportamentos para minimizar características naturalmente marcantes, como lábios volumosos, nariz alargado e cabelos crespos.
Jéssica rebate essa tendência:
“Nossa estética é uma herança valiosa. Volume, traços definidos e pele resistente são marcas de identidade. Cuidar delas é uma forma de resistência.”
O movimento pela reparação estética
O Julho das Pretas não só discute representatividade, mas também exige reparação histórica. A edição deste ano, com foco em Salvador, reforça a necessidade de colocar a mulher negra no centro das discussões, seja na política, economia ou na valorização da beleza afro-brasileira.
Para Jéssica, a estética negra é uma ferramenta poderosa de comunicação e ocupação de espaços:
“Quando uma mulher negra assume seus traços com orgulho, ela desafia séculos de opressão. Isso é revolucionário.”
Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Alinhado ao 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o movimento ganha ainda mais força. A data, instituída em 1992, lembra a luta contra o racismo e o sexismo em toda a América Latina.
No Brasil, o Julho das Pretas se tornou um marco de mobilização, abordando desde saúde e educação até a valorização da estética negra. Como afirma Jéssica:
“Não se trata apenas de beleza, mas de existência. Quando nos enxergamos, resistimos.”




