Crítica: Dia D, novo filme de Steven Spielberg, mistura a ingenuidade de “E.T.” dos anos 80 com o mistério de “A Chegada”

Do roteirista de Jurassic Park, baseada numa historia do próprio Spielberg, Dia D surpreende por ser leve e engraçado

Ele está entre nós! Quase meio século após apresentar ao mundo o adorável “E.T. – O Extraterrestre“, Steven Spielberg está de volta com uma nova perspectiva alienígena em Dia D. O novo filme não vem pra revolucionar a ficção científica. Está mais para uma missão de resgate, que apresenta os clichês sobre aliens dos anos 80 para uma nova geração.

Pessoas aleatórias marcadas por um encontro, mistério, o governo sufocando a verdade e querendo controlar o que deve ou não ser revelado… Tudo isso amarrado num enredo rápido e divertido. Uma clássica história de ET na sua melhor forma, com direito a uma fotografia que esbanja uma aura oitentista que promete fisgar os fãs de Stranger Things e outras obras do tipo. Uma verdadeira jogada de mestre.

Ficha Técnica

Dia D Poster Nacional

Título: Dia D (Disclosure Day)

Estúdio: Universal Studios

Estreia: 11 de junho

Duração: 2h 25min

Gênero: Ficção Científica

Diretor: Steven Spielberg

Roteirista: David Koepp

Elenco: Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo, Josh O’Connor e mais

Sinopse: Uma organização misteriosa quer impedir e controlar o contato dos alienígenas com a sociedade humana.

O que esperar de Dia D? Uma sessão da tarde

Dia D Emily Blunt

Sem tempo para uma introdução, o filme começa de forma abrupta. Uma forma bastante efetiva de sinalizar que esta não é uma história para se entender. É para se sentir.

O público quase que é abduzido junto aos personagens, sem qualquer cerimônia. Daniel Kellner (Josh O’Connor) deve entregar o que quer que esteja em sua posse para que recupere sabe-se lá o quê. Assim que Spielberg nos joga em seu Dia D.

O que se desenrola a partir daí é uma sucessão de situações bem “Vem comigo que no caminho eu te explico!”. Uma escolha um tanto ousada, se me permite dizer. Em uma indústria obcecada por explicar cada detalhe, Spielberg confia na inteligência de sua plateia e, em retorno, consegue construir um ritmo muito gostoso que respeita o público.

Dia D Vilao

Neste momento que somos apresentados a Noah (Colin Firth), o incansável agente de uma organização que trabalha junto ao governo americano. O humor do filme fica com a sempre excelente Emily Blunt, que interpreta uma garota do tempo da TV local, que após um estranho evento, desenvolve habilidades quase messiânicas, no melhor estilo “A Chegada“.

São nessas bases simples que o filme se mantém. Os mocinhos precisam cumprir seu destino. O vilão quase sempre toma a forma do governo e sua mania de perseguir, intimidar e até apagar pessoas. Nada muito complicado.

Eram os deuses alienígenas?

O principal questionamento do filme, inclusive, também não é muito complexo ou original. A humanidade gosta de acreditar em seres superiores, mas será que lidariam bem com a sua existência?

Dia D Colman Domingo

O roteiro não desenvolve nada muito longe do que se vê nas reações do viral do ET do Paraná, que rodou as redes nas últimas semanas, mas ainda tem algo de interessante a dizer na forma da personagem de Eve Hewson. Uma ex-freira com sua fé abalada, ela não acredita que a humanidade esteja preparada para uma verdade dessa magnitude.

Seu contraponto direto é o enigmático Hugo, de Colman Domingo, que acredita que a verdade é um direito da humanidade, independente do impacto que gere na população. Ele age das sombras como o “nerd da cadeira”. Nunca na ação, mas sempre controlando os movimentos das outras figuras no jogo.

No roteiro de David Koepp (Jurassic Park, Quarto do Pânico), baseado em ideias de Spielberg, os dois personagens apresentam uma ótica interessante ao questionamento principal do filme. Diferente de seus antecessores, Dia D não coloca a religião e a ciência em lados opostos. Os dois tópicos fazem parte da mesma moeda e deslocam o ser humano do centro de seu próprio universo.

E se, por serem superiores, estes alienígenas não compreenderam a mensagem de Deus de uma forma mais clara? Por que criaturas com intelecto tão grande se preocupam em nos contatar, nos moldar e, ao que parece, ensinar meros humanos? Pra conferir a resposta, só procurar a sala de cinema mais próxima. Dia D já está em cartaz nos cinemas.

Dia D

Taian Lima

Disclosure Day
“Eles estão entre nós?”
Elenco
Roteiro
Direção

Veredito

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4.5