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Crítica: Coração de Ferro é mais um capítulo do império de Ryan Coogler na Marvel

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Diretor de Pantera Negra traz, mais uma vez, a “excelência negra” ao MCU

Falar sobre negritude e Marvel é falar sobre a influência de Ryan Coogler no Universo Cinematográfico da Marvel com Pantera Negra. Agora, após introduzir Riri Williams em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, o diretor traz de volta a jovem heroína em Coração de Ferro, desta vez ensinando-a que todo sonho tem seu preço.

Ficha Técnica

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Título: Coração de Ferro (Ironheart)

Estúdio: Marvel Studios

Estreia: Primeira metade no dia 24 de Junho e segunda metade no dia 1ª de Julho

Duração: 6 episódios

Gênero: Ação, Aventura

Diretor: Ryan Coogler

Sinopse: Riri Williams está de volta ao Universo Cinematográfico da Marvel após sua aparição em Wakanda Para Sempre. Desta vez, a garota precisará entender que nenhum sonho é de graça.

“Por que eu posso”

Ancestralidade versus modernidade. Magia versus tecnologia. Família versus individualidade. Desde sua entrada no MCU, Ryan Coogler tem trabalhado a negritude de seus personagens através de dois universos bem distintos. É entre flores que concedem poderes a quem as consome e o desejo de levar tecnologia à comunidade negra americana, que seus personagens se encontram.

Em outras palavras, sendo puxados de um lado para o outro, como um cabo de guerra, prestes a arrebentar. Porém, se antes, o nosso ponto de partida eram as terras ancestrais de Wakanda; em Coração de Ferro, esse embate acontece nas ruas do Bronx. Aqui, seguimos uma Riri Williams, interpretada por Dominique Thorne, descobrindo que suas invenções não são nada sem “recursos”.

Coração de Ferro
Dominique Thorne é um dos destaques da nova série

Se antes ela tinha o apoio de Wakanda, Shuri e até mesmo uma bolsa de estudos da indústria Stark, agora, a garota tem apenas sua genialidade. E durante os seis episódios da primeira temporada de Coração de Ferro, a pergunta persiste: Isso é o suficiente para uma garota negra como Riri Williams?

A resposta não é simples. Enquanto tenta encontrar a liberdade de criar sem as amarras de uma instituição, a garota se vê caindo em uma espiral mística protagonizada por Parker Robbins, também conhecido como Capuz, personagem vivido por Anthony Ramos. E essa mistura, apesar de inusitada para uma primeira temporada da Coração de Ferro, é uma lembrança do que poderíamos ter tido se tivéssemos visto o verdadeiro Mandarim encontrando Tony Stark.

Isto é, magia versus tecnologia em seu ápice. E não estamos falando apenas de círculos de magia do Doutor Estranho ou a nano tecnologia desenvolvida por Stark. Pelo contrário, aqui, o universo mágico de Coração de Ferro parece pulsar em mistério enquanto Riri Williams constrói as máquinas mais potentes com as ferramentas mais usadas.

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Coração de Ferro agora está nas ruas do Bronx, sem apoio algum

O sabor de aparatos tecnológicos “feitos à mão” é o que se destaca na série, nos lembrando, constantemente, que não estamos mais lidando com um homem bilionário e, supostamente, filantropo. Mas sim de uma garota sem recursos ou liberdade, em um mundo onde todos parecem querer que ela seja “menor do que é”.

Por isso mesmo, a troca da inteligência artificial que auxilia Riri ter ido de Tony Stark nos quadrinhos para uma persona de Natalie Washington na série é tão importante. Aqui, não estamos mais falando do favoritismo de Tony por Peter Parker, muito menos de um Homem-Aranha sob a sombra do Homem de Ferro, mas de uma garota procurando seu caminho.

Mesmo que esse caminho não seja tão heróico. Nos quadrinhos, Riri Williams tem uma das histórias de origem mais devastadoras do universo da Marvel. Não pelas perdas que sofreu, mas sim pela forma, que replica a experiência infeliz de diversos jovens negros com balas perdidas.

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Anthony Ramos faz um vilão dúbio e cheio de profundidade

A sua contraparte cinematográfica não fica para trás nesse sentido. Durante toda sua trajetória, conseguimos sentir o peso do trauma em suas escolhas. E, em momento nenhum, a série deixa seus debates sobre violência e ética cair na mesmice ou estereótipo, tornando Coração de Ferro uma das séries mais maduras da Marvel na Disney+.

E muito disso se deve a Dominique Thorne, que consegue dominar o lado divertido de Riri ao lado de N.A.T.A.L.I.E., interpretada por Lyric Ross, mas sem esquecer da seriedade quando envolvida com o Capuz ou quando se vê mergulhada em seus ataques de pânico.

Inclusive, se o filme Pantera Negra foi marcado pela importância de se explorar o afrofuturismo, Coração de Ferro nos lembra que devemos debater a saúde mental na comunidade negra. Estamos falando de um grupo marginalizado que, diariamente, precisa lidar com as dores de viver em uma sociedade racista. A falta de produções que abordem isso é alarmante e, por isso mesmo, é tão interessante ver isso pela ótica de uma heroína como Riri Williams.

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Tecnologia “feita a mão” é um dos destaques da série

Até porque, o título da série e nome da heroína nas ruas, “Coração de Ferro”, também é uma lembrança do quanto a população negra precisa se “armar” para sobreviver ao mundo lá fora. Quantos “corações de ferro” precisaram ser forjados para isso? Quantas dores foram silenciadas? Quantas histórias apagadas?

Apesar de ser mais uma série mergulhada na sua “fórmula Marvel”, Coração de Ferro é um suspiro de novidade feito pelas mãos de alguém que já está há muito tempo nesse mercado. A grande pergunta é se daremos atenção a história de Riri Williams assim como demos a de T’Challa.

A primeira temporada de Coração de Ferro foi disponibilizada antecipadamente para o Gueto Geek pela Disney.

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