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Review – Clair Obscur: Expedition 33 é a obra prima desta geração

Clair obscur expedition capa

Clair obscur expedition capa

Clair Obscur: Expedition 33 une um combate divertido, uma história inesquecível e um estilo artístico fabuloso

Toda geração existe aquele jogo que se destaca e fica marcado por sua geração. Seja Zelda Breath of the Wild, God of War ou Halo 3, se destacando pela inovação, narrativa ou só um produto quase perfeito. 

Infelizmente a geração do PlayStation 5 e Xbox Series S/X que já está aí com seus 5 anos de vida tem sido marcada por remakes, remaster e alguns bons fracassos, principalmente nos jogos multiplayer. Mas em meio a esse cenário deprimente um estúdio francês conseguiu em seu jogo de estreia entregar algo que vai ser falado por anos, mostrando mais uma vez que existe uma grande procura por jogos de um jogador.

Ficha Técnica

clair obscur expedition cover

Título: Clair Obscur: Expedition 33

Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC

Desenvolvedores: Sandfall Interactive

Distribuidora: Kepler Interactive

Descrição: Conduza os membros da Expedição 33 em uma missão para destruir a Artífice para que ela nunca mais possa pintar a morte.

Quando um caí, nós persistimos

Os personagens precisam impedir sua eventual morte
Os personagens precisam impedir sua eventual morte

Já de começo o mundo de Clair Obscur: Expedition 33 é bem único. A cidade de Lumiere é o grande bastião da humanidade e dá vista a um gigantesco pilar que está sempre mostrando um número. A cada ano a Artífice altera esse número e todas as pessoas daquela determinada idade morrem, simplesmente desaparecendo.

Neste contexto controlamos Gustave, que está preparado para se juntar à expedição 33, junto de outros moradores que vão morrer quando o número for alterado mais uma vez. Logo na chegada ao outro continente o grupo é atacado por uma pessoa com aparência idosa, o que deveria ser impossível.

Com muitos mortos e outros desaparecidos, Gustave precisa reunir os sobreviventes e tentar completar a missão de derrotar a Artífice. A história começa bem simples e parece que sabemos com facilidade para onde a jornada está se encaminhando, assim como um JRPG antigo que serviu de inspiração.

O acerto na narrativa consiste em manter o jogador engajado na viagem até chegar nos momentos de viradas, com algumas revelações que podem pegar muitos desprevenidos. Além disso, Clair Obscur: Expedition 33 lida com a morte e o luto de uma forma muito bonita e reflexiva.

O luto está presente em cada um dos personagens do elenco o que acaba tornando fácil se relacionar com eles e se sentir ainda mais investido no avanço da história. Em especial a construção para a escolha do momento final leva em conta como o jogador interpreta toda a sua jornada, entregando uma resolução bem satisfatória seja qual for o final e abre margem para discussão.

A história não seria tão interessante se não fosse seus personagens, cada um com seus momentos de destaque. Em especial Maelle, a irmã adotiva de Gustave que sempre se sentiu deslocada em Lumiere, por isso decide se juntar à expedição, mesmo ainda tendo 18 anos.

Esse fato permite que a personagem tenha uma visão do mundo um pouco diferente do resto da expedição e acaba sendo ela a responsável pelos momentos mais dramáticos da história, que só funciona tão bem devido ao trabalho excepcional da Jeniffer English que dá voz à garota.

Apesar do destaque de Maelle, todos os personagens são extremamente carismáticos e fáceis de se apegar, principalmente pelo fato de que o jogo consegue entregar diversos momentos descontraídos. A jornada dos personagens é árdua e eles estão constantemente cercados de morte, mas ainda assim o grupo está viajando para locais desconhecidos e é possível aproveitar a jornada e se divertir também.

O mundo de Clair Obscur é belo e devastado em uma mesma medida. Durante toda a jornada podemos ver os estragos não só das expedições anteriores, mas também do mundo fragmentado que restou. Com cores vibrantes é uma variedade grande de locais como florestas, cidades fantasmas e cenários que parecem embaixo d’água.

A estrutura de cada área é bem simples, muitas vezes são corredores sem muito desvios, como é visto em Final Fantasy X ou outros JRPG. Complementando a narrativa e o visual, a trilha sonora dá o toque final na obra prima de expedition 33.

Cada música é marcante, melancólica e se encaixa com perfeição na narrativa. É difícil não se emocionar quando o tema de certos personagens entram em cena e principalmente em transições de músicas muito bem feitas, seja em combate ou em cutscenes.

Sangue e tinta

O mundo tem uma beleza deslumbrante e uma boa variedade
O mundo tem uma beleza deslumbrante e uma boa variedade

Mas tudo isso poderia muito bem ter sido deixado de lado, já que o combate do jogo seria capaz de sustentar a obra com facilidade. Como suas inspirações Clair Obscur: Expedition 33 é um rpg de turnos, mas acaba sendo mais inspirado em obras como Mario RPG ou Legends of Dragoon onde é preciso apertar certos botões no momento certo para deixar o ataque mais poderoso ou fazer ele por completo.

Mais especial que isso é a parte defensiva, já que nos ataques inimigos é possível aparar, desviar ou pular. Cada uma das opções tem seus lados positivos como a esquiva que é mais fácil de ser realizada ou então a aparada que precisa ser utilizada no momento certo, mas com isso será realizado um contra ataque poderoso.

Essa mistura de turno com ações momentâneas deixam o jogador constantemente em alerta e consegue ser uma mistura muito boa de um jogo de turno e um de ação, gerando uma sensação diferente de se jogar qualquer um dos dois gêneros. 

Mas como reagir aos ataques do adversário é algo de muita importância, e o jogo traz uma variedade de inimigos, a animação precisa ser priorizada. Os movimentos dos adversários são bem claros e é bem fácil compreender qual o momento certo para pressionar o botão, mesmo em inimigos menores.

Os personagens de seu grupo também trazem sua própria cor para o combate. Todos eles apresentam alguma mecânica única que dita seu estilo de combate. Lune, que seria algo como a maga do grupo, ganha manchas de certos elementos que certas habilidades consomem para efeitos especiais, enquanto Maelle tem posturas diferentes que geram efeitos próprios dando ainda mais profundidade ao combate.

Todos os aspectos do jogo se unem muito bem um ao outro sem nunca passar a sensação de que algo foi exagerado ou então parecer que algo foi cortado durante a produção. Se existe alguma reclamação sobre Expedition 33 é a movimentação dura dos personagens que acaba se tornando um problema durante os minigames presentes em certos mapas. Não é algo gritante, mas pode gerar um ou dois momentos de frustrações.

Clair Obscur: Expedition 33

Ygor Ferreira

clair obscur expedition nota
Narrativa
Jogabilidade
Visual

Veredito

Clair Obscur: Expedition 33 consegue acertar nos aspectos artísticos e técnicos, trazendo uma história engajante, um combate satisfatório e uma trilha sonora que será lembrada por muito tempo.

5
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