Novo jogo de luta da SNK aposta em novos visuais e muita agressividade
A SNK foi uma das desenvolvedoras que batiam de frente com a Capcom e outros grandes estúdios nos anos 90, mas, com os arcades perdendo a popularidade, a desenvolvedora acabou caindo no esquecimento. No fim da última década, a empresa tem tentado reacender a chama dos jogadores de luta com o retorno de King of Fighters e Samurai Shodown, que tiveram uma recepção mista por diversos fatores. Agora o estúdio busca seguir os passos da Capcom e seu Street Fighter 6 e promete dar uma nova cara para Fatal Fury: City of the Wolves, franquia de onde surgiu Terry Bogard, um dos personagens mais populares dos jogos de luta.
O Gueto Geek teve a oportunidade de testar um pouco do novo jogo da SNK e trazer as primeiras impressões do que pode ser um retorno triunfal da franquia Fatal Fury!
Novos visuais e inspirações em seus rivais

Fatal Fury: City of the Wolves já trouxe um estranhamento inicial para jogadores veteranos com um visual completamente repaginado para personagens antigos da SNK. Os designs que, por décadas, sofreram, no máximo, pequenas alterações agora estão completamente diferentes. Alguns atraíram comentários mais positivos, como o de Mai, e outros nem tanto, como foi o caso de Terry — ambos agora mais envelhecidos.
Segundo Maxx Clark, gerente de marketing da empresa, a ideia dos novos visuais é demonstrar que, assim como seus jogadores, os personagens envelheceram, amadureceram e mudaram — algo que Street Fighter 6 conseguiu fazer com primor.
A versão de teste ainda traz dois novos personagens: Preecha, uma lutadora de Muay Thai com um visual extremamente colorido, e Vox Reaper, um assassino que utiliza um estilo próprio de karatê. A arte em 3D, que foi duramente criticada em The King of Fighters XIV e passou por algumas melhorias em sua sequência, parece finalmente ter chegado em um estado estético que não gera uma estranheza em seus personagens e, combinado com as cores fortes, conseguem trazer um identidade própria marcante.
Mas para além do design dos personagens, ele traz uma apresentação espetacular já na sua tela de seleção de lutadores, com uma estética impactante. Durante as batalhas, os efeitos de cada um dos novos recursos utilizados no jogo são bem diferentes entre si e permite que se compreenda com facilidade a diferença entre os recursos utilizados ao longo da partida.
O toque final são os ataques especiais mais cinematográficos, que trazem um efeito levemente inspirado em quadrinhos, que dá um estilo a mais que os jogos atuais da SNK estavam precisando.
O único lado negativo de Fatal Fury, até o momento, são seus cenários, que na demo disponível eram somente dois. Nenhum conseguiu trazer qualquer tipo de sentimento para os jogadores, parecendo somente um lugar genérico que não adiciona em nada a atmosfera do jogo. Felizmente isso é algo que acaba sendo ofuscado pelo ritmo frenético da experiência e o visual rico de suas habilidades.
Um cabo de guerra explosivo

Durante as partidas que pude jogar de Fatal Fury, pude notar uma grande semelhança com Street Fighter 6 — também em seu ritmo, mas principalmente no uso de seus recursos.
A grande mecânica de City of the Wolves é o REV System, que engloba uma variedade de pequenos sistemas e funcionalidades do jogo. Entre elas, temos a possibilidade de utilizar diversos golpes especiais em sequência e, durante um determinado momento do confronto, utilizar um golpe especial devastador.
A primeira é definida antes mesmo do jogo ser iniciado e é chamado de Selective Potential Gear, o SPG, em que o jogador precisa definir se será ativada no início da vida de seu personagem, meio ou fim. A mecânica dá um aumento no dano e também a possibilidade de utilizar um REV Blow, golpe que pode ser utilizado cancelando a animação de uma infinidade de ataques e oferece também uma alternativa defensiva, já que absorve alguns acertos de seu oponente. A habilidade se assemelha muito ao Drive Impact de Street Fighter 6 e trazem interações similares com a mesma, já que para combater a investida de seu oponente é preciso utilizar o seu REV Blow ou um agarrão.
Mas o ponto mais importante, e que traz uma grande agressividade para os confrontos, é o REV Meter, barra necessária para ativar cada um dessas habilidades.
No início de cada round, ambos os jogadores começam com o medidor zerado e utilizar golpes especiais aumentam a barra até o limite de 100%. Com ela no máximo, o jogador fica superaquecido e perde a possibilidade de utilizar qualquer golpe do REV Meter e, mesmo na defesa normal, perde um pouco de vida com o ataque.
Então o principal objetivo para não chegar neste estado é continuar fazendo pressão em seu oponente. Ao se aproximar de seu oponente ou acertar golpes simples, o REV Meter vai reduzindo novamente, recompensando o jogador a estar sempre utilizando esses ataques especiais para abrir a guarda do oponente. Cada round se torna extremamente volátil, já que a qualquer momento a balança pode virar para o lado de seu rival. Pensando no lado defensivo temos a defesa perfeita que caso o jogador consiga apertar o botão de bloqueio no momento certo, sua barra não é aumentada.
City of the Wolves parece estar seguindo a linha de outros jogos de luta recentes como Tekken 8 e o próprio Street Fighter 6, no foco em um jogo mais explosivo para que fique ainda mais interessante de se assistir em um campeonato, por exemplo, com até mesmo a possibilidade de dar uma finta para enganar seu adversário trazendo mais a possibilidade de alguma jogada eletrizante.
Toda essa agressividade pode ser uma lâmina de dois gumes, já que por um lado é divertido de assistir, isso pode fazer com que os jogadores recorram a um estilo de jogo específico tornando as partidas um pouco repetitivas e talvez deixando arquétipos como Zoners, lutadores focados no combate a distância, tenham muita dificuldade em se destacar e ter um espaço no lado do competitivo.
Claro que em um primeiro momento onde todos estão se familiarizando com as mecânicas de um jogo novo, o lado mais agressivo acaba se destacando enquanto as estratégias mais técnicas levam um tempo para serem devidamente utilizadas.
O que pode levar tempo também é o aprendizado básico de Fatal Fury, que assim como outros jogos da SNK exige muito de seu jogador. Cancelar especiais algumas vezes seguidas, entender o ritmo do aperto de botões e compreender o timing da defesa perfeita, tudo isso faz com que ele tenha uma grande barreira para atrair novos jogadores, mas é uma jornada extremamente recompensante. Mas caso isso não seja algo que te atraí, ele oferece um estilo de controle simplificado, assim como os outros jogos de luta modernos, reduzindo algumas funcionalidades do jogo mas permitindo que novos jogadores consigam se divertir sem a necessidade de passar horas no treinamento.
Fatal Fury: City of Wolves parece finalmente um retorno dos tempos de ouros da SNK, trazendo estilo, profundidade e uma jogabilidade complexa, mas resta saber se será o bastante para trazer um novo público para o jogo.
Fatal Fury: City of Wolves será lançado no dia 24 de abril de 2025 para PlayStation 4 e 5, Xbox Series S/X e PC.
O Gueto Geek testou uma versão do jogo com antecedência a convite da SNK. Podem haver mudanças leves apresentadas na experiência final.